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Um Velho Oeste de Dar Inveja a Sergio Leone

Acreditavam na velha fabula iluminista; 
Da separação dos três poderes, do Estado democrático,
De que se incrimina um homem apenas com robustas provas...
Tudo falso, simplórias historietas choramingadas por juristas. 

Arenoso é o chão desse lugar, um velho oeste 
Em que poderosos fazem suas próprias leis (sem incluir o outro).
País das imensas patifarias, terra em que se usa pandemia para exterminar pessoas,
Dos togados partidarizados e que defecam na Carta Magna.
Pátria da anulação dos direitos e dos bacanais em privilégios. 
As Bruzundangas dos roubos públicos, o harém aético dos ricos. 

Este é o lugar no qual a injustiça é completa;
Pois as mãos dos juízes que soltam larápios de colarinho branco,
São as mesmas que esmagam como insetos os favelados 
Comedores de marmitas e que acreditam em fabulas de meritocracia. 

Aqui se dá soco na cara da opinião pública 
Quando helicópteros parlamentares espalham cocaína pelo ar.
Os íntegros policiais nada fazem diante dessa farra.
Não há limite para o perigo, para as gordas malas de dinheiro.
É tiro na cara de deputada e safanão militar nos ouvidos dos marginalizados.

É o velho oeste do bang bang que coloca abaixo toda civilidade;
Nada de limites constitucionais, 
Militares em falas obscuras defendem um 1964 repaginado,
Atiram contra os cortiços para que a limpeza social 
Mantenha os tesouros nos saloons dos coronéis.
Vive-se um imenso deserto, árido de tolerância, terra sem lei,
Inferno defendido pelos capitalistas sem capital, 
Bolha em que nobres sobrenomes impõem seculares dinastias.

Esmagam as riquezas naturais entregando-as 
De mão beijada aos lacaios estrangeiros, 
Desejam privatizar todos os serviços públicos num ambiente
Em que as pessoas mal possuem renda para comprar gás e gasolina.
Não há nada mais ogro que tudo isso, 
Mas os asnos de Buridan que carregam panelas pelas ruas, dizem:
Que ideia genial, mudaremos o país com os ensinamentos de Mises.

Aqui é um perfeito velho oeste, um infindável oásis para os donos do poder,
Danação de Alighieri para os plebeus braços que mantem essa putaria tropical.
Terra da banalização do ódio contra os humildes,
Estado de defesa do fascismo travestido de bons costumes, 
Refúgio da ignorância coletiva,
Mundo em que se mata qualquer um, se sacrifica qualquer dignidade
Por um punhado de dólares e reais.