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O desabafo do mar

O desabafo do mar

Criança de pés no chão

não permito que nada me distraia

registro na mente e no coração

o caminho em direção à praia

Era minha primeira vez

a ansiedade me consumia

a descida da serra me fez

sentir o cheiro da maresia

Era um cheiro com sabor

me aguçava o paladar

tinha forma, contorno e cor

me dava vontade de "comer" o mar

Lá estava eu, diante da imensidão

admirando a bela pintura

obra-prima da Criação

um quadro sem moldura

A areia escorria entre os dedos

e de repente comecei escutar

o mar sussurrando seus segredos

que eu jurei  jamais revelar

"Minhas águas salgadas

multiplicam a vida

agora são profanadas

agora são invadidas

Minhas águas, espelho do sol

replica seu brilho fantástico

ofuscado por petróleo e etanol

e uma espessa camada de plástico

Até a brisa tem cheiro diferente

as ondas não quebram como antes

minhas águas maculadas com poluentes

por uma sociedade arrogante

Águas claras impelidas pelo vento

quintal da gaivota e do albatroz

agora já faz um bom tempo

que não ouço sequer sua voz

Aos meus pés o chá de areia

esconderijo das belas conchinhas

os grãos agora serpenteiam

entre embalagens e latinhas

Para onde foram meus cardumes?

será que um dia voltarão?

o homem erra e não assume

ainda acha que tem razão

Peço desculpas pelo desabafo

sei que agora me olhas diferente

se não inspiro mais teus passos,

peço desculpas novamente

Você é apenas uma criança!

pelo desabafo, me retrato, com certeza

mas não podes crescer sem a esperança

de desfrutar dos encantos da natureza"

O mar desabafa aos quatro cantos

"hoje sou inóspito e enfadonho"

despertei em soluços e pranto

agradecida por ter sido um sonho

Ao sonho, no entanto, proponho

contar toda a verdade

nunca tive na vida um sonho

tão próximo da realidade!

 

 

Narrativas

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Ana Carla Ribeiro Silva
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