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Boxe

Boxe

A vida tornou-se um jab desferido em descasos públicos,
Sofrimentos psíquicos e egoísmos de doses homéricas.
É um direto com os punhos em que 
A dor do outro se tornou indiferente... 
É um rápido cruzado de direita que rende 
Glórias aos facínoras e indiferentes.

Nela, o bestial público está sempre a gritar:
Viva a mentira! Santificada seja a desigualdade!
O oponente debocha com um ilegal gancho desferido na nuca
E depois hasteia a bandeira da injustiça e da imoralidade.
É o peso do ringue um fardo inútil de insatisfação e cansaço?
Nocaute que leva a coisa nenhuma? Palco mudo e sem sentido?

Mesmo abatido, com o crânio destroçado, ferve no lutador
O esforço em desenvolver estratégias que acalme a luta.
Renasce entre as mãos o cuidado consigo, com os amáveis, 
Que o faz se elevar além dos insultos da multidão. 
A luta, o sofrido na pele faz florescer vontades, 
Desejos de dar pontos nos rasgados da face, 
Desferir justos uppercuts num cenário marcadamente injusto. 
A felicidade do lutador é tentar desfazer o veneno recebido,
Permanecer de pé mesmo com os dentes quebrados.
É buscar altivez e sentido em dias em que o corpo é escravizado pelo erro.
 

Narrativas

INfluxo
Dennis De Oliveira Santos
Dennis De Oliveira Santos Seguir

Sociólogo, professor e escritor. Um amante do mundo das letras que se expressa através de poesias e crônicas.

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