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O capitalismo vende de tudo para nos agradar, e esquece de acessar nossas almas.

O capitalismo vende de tudo para nos agradar, e esquece de acessar nossas almas.
Marina Stolfi
mar. 12 - 2 min de leitura
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Um texto sobre o Dia das mulheres. 

Acordei, mais um dia, sem verdadeiramente ser agraciada por viver como mulher.

Os textos dizem alguma coisa bonita, mas minha mente é levada somente a um lugar de indignação, até mesmo revolta por espantosa hipocrisia. 

Percebo a luta feminina, seu tamanho e complexidade, desproporcional ao que realmente foi feito por nós através dos séculos. A sociedade nos é ingrata. Pedimos respeito, nos entregam rosas e cartões, os “parabéns”, um dia comercial “só nosso”. O que vamos fazer com tudo isso?! Aprecio gestos de carinho, quando sinceros, mas nunca substituirão nossa profunda lacuna: a insegurança diária, os inúmeros insultos que nos dirigem a cada dia, a nossa sobrecarga, a nossa invisibilidade.

Uma das pautas sociais que mais me irrita precisar debater e citar, além da violência propriamente dita e cometida, é o apagamento histórico. Quando olhamos em volta e não vemos um exemplo feminino de sucesso que saiu dos moldes impostos, nos reforçam haver apenas um caminho para a gente: e ele é superficial e alinhado ao ideal de servidão. Quando as figuras históricas femininas imponentes, que são inúmeras, são excluídas do lugar de destaque, julgadas por suas vidas “desregradas” e desmerecidas, enquanto homens ambiciosos, colonizadores, violentos e abusadores são vistos como líderes e exemplos, é reforçado para todos que o mundo é assim: os homens têm o caminho da grandeza se estiverem dispostos a serem horríveis, as mulheres terão direito ao perdão e ao prazer se forem obedientes.

Nós não precisamos de um dia no calendário para nos lembrarmos de que merecemos ser amadas, os bons homens nunca precisaram ou precisarão do Dia das Mulheres para demonstrar carinho, respeito, admiração e a sua importância na vida deles. Você é mulher, mas é um ser humano, um igual.

Por enquanto, acho a comemoração fajuta. Nossos poucos direitos conquistados até agora sempre deveriam ter sido nossos, e muitas vezes precisaram estar apoiados em algum movimento político ao qual favorecêssemos para que enfim nos ouvissem! 

Somos mulheres fortes por termos empatia e motivos para lutar, tenho orgulho todo dia, mas não precisamos de simpatia, precisamos de gente lutando ao nosso lado! Precisamos da liberdade que fingem que temos!

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