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O amor meloso e enjooso dos casais

O amor meloso e enjooso dos casais


Eu tenho raiva, ojeriza do amor.
A cabeça do amante é uma arapuca onde o pensar é o outro que     ocupa.
Como um pássaro mesmo que estivesse prestes a voar,
perderá o único juízo que tinha.
Mas já não perderá, pois não se perde o que já não possuía.

Eu tenho raiva do amor, ojeriza.
O amor meloso dos apaixonados apenas me causa enjoo 
     e um nojo adoidado na vida.

Depender do outro para existir é a pior escravidão.
Existir para o outro nem pensar então.
A tua saliva contaminando de fel a boca e a vida de outro ser.
Mas no começo é puro mel.

Quero a razão mais límpida 
em que não me entre o peso da névoa da paixão.
A existência saudável de um casal depende mais da razão que     de paixão.

Não quero que no estio a chuva dos olhos venha inundar a       paisagem que eu queira observar,
e que não precise da existência de outra vida 
para significar alguma coisa para minha escrita.

E que ela, minha escrita, não venha precisar 
falar do amor para ganha alguma vida.

Afinal, esqueçamos tudo então
e partamos para outra lida
mais fácil de exprimir, em que nos fale mais forte a razão.
 

(do volume "Qualquer Possível Infinito e outros poemas")

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