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João e Maria

João e Maria

 

Abandonado com frio e fome , João aprendeu que não poderia confiar no homem.
Cresceu jogando bola, pedindo esmola, dormia no chão, catava no lixo a alimentação.
Ele não tinha reflexo na poça do chão.
Se tornou invisível depois que nasceu e foi abandonado, se sentia um preso, condenado a miséria sem ser julgado.
Aos 19 anos, conheceu Maria, Menina franzina porque vivia de barriga vazia.
Não teve a vida muito distinta de João, vendia o corpo pra ter aumenos uma refeição. 
Eles estavam exaustos de não terem faces, dignidade, educação. 
Sabiam que de estômagos fartos, pregariam a moral e os bons costumes que assistiam na televisão. 
Eles ficavam pasmos com a TV da loja, enfrente aos amontoados de papelão, que os abraçavam nas noites e dias de solidão. 
Queriam aquele mundo também, queriam ter nomes e os princípios de homens de bem.
Principios mais barulhentos que  os estrondos da fome.
Por isso, decidiram ariscar alto, foi tudo bem orquestrado, o plano, era o banco ao lado. 
Nada a perder, nada a segurar nos braços.
Mas no fim...
deu tudo errado.
Sabe-se lá se o errado, não era de fato o verdadeiro plano arquitetado.
Mortos por fuzis socialmente alimentados, freneticamente disparados.
2 balas pra Maria, 
5 pra João. 
Corpos estendidos no chão.
eles não existem mais!
Mas, pra quem nunca existiu...
que diferença faz!?
(Marluce Persil)

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Marluce Persil
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Poeta,Historiadora,graduanda em Psicologia,ocupante da cadeira 240 na Academia Internacional Mulheres das Letras.Feminista atuante nas causas sociais.Aos 16 anos estreiava nos palcos baianos; participou de inúmeras coletânias nacionais e internacion

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