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Flores possíveis depois da tempestade

Flores possíveis depois da tempestade

Tudo transmutando diante de seu olhar. Redemoinho de objetos dançantes, música assovio entrando pelas pequenas frestas.

Portas e janelas uivando, vento forte.

Ela parada, olhando...

Tudo lá, dentro e fora, gritando o amor enjaulado no peito, tudo querendo ser possível como a planta que tem raíz cravada na terra e o corpo de liberdade para ser e não ser.

As flores ainda são possíveis depois da tempestade.

Parecia que estava desistindo, mas não, tinha dentro uma força pulsando, aquela que só as mães possuem e que fica gravada na memória das filhas para a hora dos abismos: afeto, amparo, colo, conselho, cura...

Ela ainda imóvel, escuta o silêncio das pessoas lá dentro, tudo mostra.

Fala-se da chuva, das escolhas de cada um, da esperança de que tudo ficará bem.

Quem vai decidir por você?

Fala-se do que tem que ruir, do vazio.
Do que tem que emergir das ruínas para preencher.

Entende que é de pássaros que se pode atravessar com risos este infinito céu azul que aparece depois da tempestade.

Pisca os olhos, volta a si, faz um café forte, toma como se fosse o último.

Deixa um áudio no whatsapp: Oi, tudo bem com você? Vamos ao cinema? Ando querendo sonhar junto, sonho de mim, de nós e dos outros. É urgente, a tempestade já passou.

Helena Soares Aphonso
16-11-2020

 

INfluxo
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Gosto de inventar possibilidades criativas para a vida acontecer inusitada, por via artística, literária, poética, performática. A escrita é minha fuga libertária, coloco-a em prática todos os dias para estar comigo e com os outros.

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