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Como a Literatura Mudou Minha Vida?

Como a Literatura Mudou Minha Vida?
Matheus Roberto
set. 29 - 4 min de leitura
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Sou do interior de São Paulo, e ainda tão restrito quanto a cidade: tímido e pequeno por natureza. Tenho 23 anos, mas escrevo faz uns dois anos. Tudo começou em uma consulta com a psicóloga, ela percebeu minha falta de tato com as palavras nas consultas, então, pediu para que eu colocasse o que eu sentia no papel. Apesar das reflexões a esmo nas quais eu escrevi nas redes sociais, nunca havia falado sobre mim, tudo o que eu pensava ao meu respeito era sobre as questões externas. Cumpri com o que ela disse, escrevi uma prosa poética simulando uma carta de suicídio. Fui honesto, debrucei sobre aqueles versos tudo o que eu sentia. Lembro dela sorrir e dizer que gostou. A partir daí comecei a exercitar minha escrita. Apenas em 2020 decidi publicar alguns poemas nas minhas redes sociais. Obtive um feedback positivo. As pessoas nessa época e até hoje elogiam muito os meus textos. Ao mesmo tempo que me dava um sentimento bom eu imaginava que não era aquilo tudo; imaginei que os elogios eram mais sobre mim do que sobre os textos. Com a minha pérfida arrogância os julguei: ou eles elogiam para o meu agrado ou eles não têm critérios bons de Literatura. Hoje eu não penso assim, é claro, vejo que a minha estupidez além de poder os ofender, excruciava minha autoestima. Em 2021 resolvi investir mais em sites específicos para escritores, como o Recanto das Letras, Medium, Scriv; nisso entrou o meu Instagram, pois pensei: ‘’bom, os textos estão dando resultados, e como Instagram é uma boa plataforma para imagens, é perfeito para mim’’. Além do amor pela escrita, gosto da arte e penso que ela tem muito a dizer sobre a vida no geral.

A arte me aproximou ao Cinema, a Literatura, a Música e com certeza a Pintura. Penso constantemente que a vida é uma experiência estética. Não apenas no sentido de podar e ajeitar à aparência das coisas com a técnica, mas a vida em si. Momentos simples, sorrisos e coisas comuns do dia a dia, a meu ver, são o apogeu da estética. Sem beleza a vida não tem graça. É aí onde entram os meus textos melancólicos. A maioria dos meus leitores mais interessados se atraem pelos textos ‘’tristes’’, mas isso é um problema. Carrego uma ideia muito clara onde distingo melancolia e depressão (ou tristeza). Depressão como conhecemos é um transtorno mental, um problema preocupante da nossa sociedade. Tristeza é um sentimento comum, mas está dentro do espectro da depressão, e esse espectro a faz durar por um longo tempo, ou até a vida toda. Melancolia como penso no sentido clássico é um chamado interior. Vejo ela no sentido romântico, pois além dos gregos antigamente associarem ela a uma superioridade intelectual, viam ela como um fardo necessário. Para mim, sentir-se melancólico não tem relação com um aflorar intelectual, mas sim por um incômodo por dentro; esse incômodo é o autoconhecimento, a fragilidade e a doçura da vida. Melancolia talvez seja o fulcro da própria vida, pois em todos os momentos felizes ela consegue permear. Quem nunca voltou de um passeio legal com os amigos ou então comeu algo gostoso, mas após isso teve um sentimento diferente? Tal sentimento interessante que não é tristeza, mas também não é alegria. Felicidade e melancolia andam justapostas. Quando finalmente realizamos o que queremos, nos resta o tédio, e novamente o querer de algo novo, nesse meio tempo, a melancolia se reside.

O leitor que tem depressão e se identifica muito com os textos talvez não veja problema, mas eu vejo. Depressão tem tratamento, é um problema feio que infelizmente mata nossa estética. O meu trabalho atrai esse tipo de pessoa, mas entenda, não vejo problema em você consumir esse tipo de conteúdo, porém, perceba que os meus textos não são sobre isso. Assumo total responsabilidade deixando claro nesta biografia a minha intenção. Melancolia é bela, venerada por mim, mas a depressão é totalmente condenável, pois por experiência própria, ela quase matou a beleza da minha existência.




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