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A Poesia Maldita

A Poesia Maldita
Dennis De Oliveira Santos
abr. 23 - 1 min de leitura
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Oito horas de pé, corpo e mente cansados,

Nas tardes que se passam: cobranças no trabalho.

Ao redor selfies, violência, miséria, burrice coletiva,

O mundo é um luar de entediadas mandíbulas a discursarem.


Um planeta acinzentado que não anima os homens.

Nessa pesada realidade, nesse chope sem espuma,

Nesse perfume que não adoça os corpos,

A poesia deve incomodar, nada de suave romantismo.


Seus versos devem guilhotinar os afortunados,

Suas rimas alardear sobre a pobreza que avoluma.

A poesia é plurissignificativa de metamorfoses,

Mendigo a caminhar nas ruas dos sentimentos,

Uma defecadora na boca dos hipócritas.


O versejar não pode ser bobamente feliz,

Descrever jocosamente o amor, ser mero entretenimento.

A poesia deve jorrar sangue, desnudar mundos,

Ser jab bem dado para ferir e remontar o cérebro...

Elegia que expõe vértebras e estômagos.


A poesia tange seus pés junto

A tudo que é desconfortável e agressivo.

Ela cospe sobre o descartável,

Esfaqueia os que buscam a felicidade

Pela satisfação de necessidades econômicas.


A poesia tritura os ossos do imediatismo,

Dá pontapés na superficialidade,

Oferece sentido ao mundo à nossa volta.

Ela grita nossos dilemas,

Busca novas possibilidades.


A poesia é a trova dos críticos,

Uma bastarda entre os deuses do Olimpo...

As flores do mal plantadas por Baudelaire,

Poe, Augusto, Ginsberg, Kerouac e Gregório.

A poesia beija o peito sofredor.

A poesia deve ser maldita!



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