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Tâmaras

Tâmaras

Quem vai colher o que eu plantei tâmaras?
Quem vai colher se eu não plantar?
E se não houver o que plantar?
Escrevendo poemas para depois do amanhã enquanto dizem que se deve viver como se não houvesse amanhã
E se houver?
Haverá!
E tenho fé pois eu venho de onde se tem esperança quando não há mais esperança
Confuso mas real
Pé descalço no chão de terra
Não é pobreza, é liberdade
Criança preta é futuro, por isso bala fura muro que fura criança que tem alvo nas costas
Tem cor
Tem nome
Eles não vão parar demos matar e nós não vamos parar de viver

Quem vai colher o que eu plantar tâmaras?
E tome semente
Mão preta na terra
Mãe preta enterra
Mãe terra
Planta
Cuida
Nasce
Colhe
Come
E dá de comer também
Olha nós aqui mais uma vez
Somos terra
Raízes
Água
Ar
Matéria ancestral
Não acaba
Nunca
Reinicia
Não é reta
É círculo
Eu volto pra ler o poema que plantei
Volto pra colher
Nós vamos colher o que plantamos mesmo que não seja nessa passagem por esse plano.

(Daiane Gomes, tâmaras)

Narrativas

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