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Sala de espera!

Sala de espera!

Sala de espera!
Creio que todos concordam que a sala de espera de uma consulta pode nos deixar um tantinho estressados e ansiosos. Eu já desisti de chegar cedo. Porque estatisticamente comprovei que, quanto mais cedo chego, mais tarde saio do consultório. E convenhamos,  ao ver todo mundo saindo e você ficando, sobe um desespero. Bate uma vontade de pegar a bolsa e ir embora. Porém, vem a sensatez. Primeiro, é difícil conseguir vaga na agenda. Segundo, o trânsito!  E em terceiro, já que está ali, aproveite e se delicie com as loucuras de uma sala de espera.
Há alguns meses atrás, fui a uma consulta no psiquiatra. E seria cômico se não fosse trágico. Em primeiro lugar, numa sala em que mal cabem oito pessoas, havia mais de dez! E, quando falo oito pessoas, isso fora o tempo de pandemia. Em tempo de pandemia, no máximo deveria ter quatro pessoas. Enfim... se proteger e rezar. Mas, sem brincadeira,  eu repeti umas dez vezes  "O que estou fazendo aqui?". Tive até que mandar uma mensagem para psicóloga. Era cada história e cada loucura que eu me senti a pessoa mais normal do mundo. Utopia da minha parte. 
Estava lá, quietinha na recepção, quando escuto "Ei, senta aqui!".  Confesso que tentei me desvencilhar, mas a insistência foi tanta, que sentei. "Agora, - pensei - o que eu faço?". Coloquei meu fone de ouvido, mas para minha sorte, a bateria do MP3 acabou. Não me dei por vencida. Fiquei lá, quietinha. Só que acabei escutando as conversas. Primeiro, entra uma paciente na sala do médico e, simplesmente, deixa o som da música do celular no último volume. E, um falou assim:  "Ela deve ter algum distúrbio, não é por menos que está aqui.".  Até que, num dado momento, este paciente começou a filosofar e tentar adivinhar a religião das pessoas. E não se dava por satisfeito! Ele apontava para a pessoa e falava qual era a religião dela. Eu já estava preparada para confirmar o que ele falasse de mim, pois,  como diz o ditado "Não contrarie doido". Depois, o mesmo saiu feliz da vida do consultório porque tinha ganhado várias  caixas de remédios. Outra relatava que o remédio fazia mal para o coração, mas preferia morrer feliz, pois o remédio a fazia feliz.
Infelizmente, muitas das vezes, o acompanhamento não é adequado. Muitos dos médicos querem tratar o problema e não a causa. É de suma importância olhar o paciente como um todo. Infelizmente são apenas números de uma estatística triste.
Como disse, seria cômico se não fosse trágico. Sou feliz e não sabia. 


Adriana de Oliveira Martins

Narrativas

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