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Poema sujo (Fabrício Manca)

Poema sujo
(Fabrício Manca)

Sou um poeta sujo, não me limpo quando escrevo 
E por essas praças poéticas que tenho passado 
Eu não me sinto nem um pouco envergonhado 
Da minha miséria criativa, ser o meu maior enlevo 

Eu me deito com as frases prostitutas 
Que encontro nas noites em que perco o sono 
Eu as violento, as cuspo e depois as abandono 
Como fazem os cafetões com suas putas 

A caneta esta minha navalha enferrujada 
Que aperto contra o esterno do papel em branco 
É tão criminosa quanto a mão desfigurada 
Que conduz o seu destino à medida que arranco 

As palavras, vísceras, verbos, tripas e versos 
E como um psicopata, eu monto meu cenário 
Orgulhoso de ver meus poemas sujos imersos 
No mais profundo e asqueroso esgoto literário 

De onde vejo estes românticos sem namoradas 
Com suas táticas apelativas em compor 
Os seus mais ridículos poemas de amor 
Só pra comer essas meninas burras apaixonadas 

Poesia nunca me trouxe sexo e nem admiração 
Porque minha poesia é o meu maior desabafo 
É o meu mal hálito que impropero pelo bafo. 
É o meu vômito provocado por essa indigestão, 

Das emoções podres que consumo todo dia. 
Sou um poeta amargo e envenenado pelo amor 
E dessas emoções podres a única que me aprazia 
Era a solidão que consumira-me todo o sabor 

Em fim, o poeta sujo é um catador de poesia 
E este poema sujo que eu escrevo, leio e rasgo 
Não é menos importante, assim em demasia, 
Que os poemas limpos que eu leio enquanto cago
 

Narrativas

INfluxo
Fabrício Manca de Souza
Fabrício Manca de Souza Seguir

Aspirante a músico, poeta e compositor, membro da ALLA (Academia Leopoldinense de Letras e Artes) em Leopoldina - MG, procuro através do meu trabalho compartilhar inspirações e emoções.

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