[ editar artigo]

Migalhas ou setas

Migalhas ou setas

Acreditar que para reconhecer seu próprio poder, acessar sua própria potência, tem que aceitar tudo que vier de um guru, um mestre. 
Entender que, pelo fato de aparentemente eles dominarem diversas técnicas, conhecerem nomes e culturas diferentes, esses mestres estão acima de qualquer deslize ético.
Ignorar a ética.
Padre, professor, terapeuta holístico, diretor de teatro. Quando a caminhada cansar e for possível parar um pouco embaixo da sombra de alguma árvore, observe. Se observe. 
No fundo, você sempre soube o que estava acontecendo. E o tempo que você ficar embaixo da árvore, talvez te ajude a compreender que o fato de ter continuado, não era necessariamente uma escolha, mas sim, um condicionamento. 
Quando um dependente químico decide se cuidar, não se corta o vínculo com o vício de uma hora para outra sem perceber os estragos, sem se doer profundamente por reconhece-los, sem desabar.
Fato é, que essas figuras muito apropriadas do sistema, sabem muito bem qual botão apertar para manter suas presas sob controle.
Todos nós temos nossos processos iniciáticos e na maioria das vezes eles são marcados por dores. Lugares marcados na nossa história onde identificamos um ponto de mudança, o fim e o início de alguma coisa que chamam de ciclo. Acreditamos que contar com mentores, professores é fundamental, pois sem nos indicarem o caminho, não conseguiremos. Eles nos fazem sentir-nos especiais... nos dão tanta atenção! É aí que o cheiro exala. Presa fácil clamando por apoio. Te colocam num pedestal, dizem o quanto você é incrível, que talento sobrenatural...
Mas calma..., você não sabe tudo, ainda precisa de lapidação e ele te mostrará que somente uma pessoa poderá fazer isso: ele próprio! Mas ele não pode te dizer tudo, o que é teu está guardado, você ainda precisa amadurecer...é um diamante em estado bruto.
Pronto. Estabeleceu-se o jogo de estica e puxa. A presa, confusa, não iniciada nas armadilhas do mundo começa a andar em círculos, até ficar tonta e pedir para sair.
“Vai desistir, nossa, não imaginava que você era tão fraca!”
E não, não adianta “exposed” nas redes para “ajudar outras a não se perderem”. Anunciamos com mega fone alto engajamento que logo ali na frente tem uma armadilha. Dependendo da força e do alcance, vítimas potenciais conseguirão ouvir, entender e a armadilha será até removida. Mas logo a armadilha se instalará num novo canto, sobre outras formas. Sempre haverá uma criatura sedenta por colocar seu poder criativo na roda e carente de apoio. Aceitará qualquer iniciação, mesmo que isso custe a sua própria destruição. E quando ela se der conta dos destroços, parecerá muito tarde.
Mas há algumas que recolheram destroços antes, que deixaram migalhas de pão pelo caminho. São como setas, algo bem longe de uma aura imaculada de guru, um ser que esconde por trás de suas vestes uma sede insaciável de energia vital alheia, já que a sua se esvaiu por completo em algum vicio não assumido. 
Uma migalha que encontrei no caminho, alertava: negar um guru por ser de um gênero e aceitar o outro que lhe convém, é a armadilha mudando de lugar.

Narrativas

Ler conteúdo completo
Indicados para você