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Fábula do futuro

Fábula do futuro

“Alice, depois de tudo renascerá a vida, o mundo, quiçá um país?” – hesitei.

            A menina pegou minha mão para que eu visse com os próprios olhos que o planeta germinaria com pessoas melhores. Sim, porque ninguém poderia passar por isso em vão. Descemos como formigas por raízes elétricas rumo à imensidão. Desembarcamos junto à  elite da salvação: cientistas, médicos, enfermeiros e, amas de leite para os órfãos da Terra, os de chão perdido, de horizonte algum. O futuro de Alice chegou tripulado por heróis: o Zé que dividiu a marmita com os desalentados, a Maria que encarou a superlotação do vírus pela diária e os que abdicaram de qualquer coisa para quem nada tinha nem amor. Ela profetizou que o coração mudaria de lugar e subiria à cabeça, tomando a rédea das decisões. E o planeta floresceu todo o grão pela mão da Alice do mundo novo.

            Justamente agora acordei na poltrona da sessão da tarde.


Do livro "Cadeiras mancas", de Annalu Braga (2021/Ed. Patuá)

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Annalu Braga
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Jornalista e roteirista carioca, com passagens na Rede Globo e Manchete, Annalu Braga há dez anos se dedica à Literatura. Escreveu cinco livros e recebeu menção honrosa por Olhos de vidro em 2017 . Seu mais recente é Cadeiras mancas (2021/Ed. Patuá)

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