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Doença da Pressa e a Gestão do Tempo

Doença da Pressa e a Gestão do Tempo

Doença da pressa e a gestão do tempo

Muitas pessoas têm reclamado de falta de tempo para realizar as tarefas profissionais e até para realizar seus sonhos e ter seus prazeres cotidianos. A deficiência na gestão do próprio tempo tem provocado uma série de males, que vão desde insatisfação pessoal, culpa, frustração e até doenças físicas e mentais. Por falta de autoconhecimento e gerenciamento do seu cotidiano, parcela significativa da população mundial tem sofrido, inclusive, de uma doença séria e que pode levar até à morte, que é a Doença da Pressa (Hurry Sickness).

Diagnosticada pela primeira vez em 1959 pelo médico cardiologista americano Meyer Friedman, este síndrome afeta aproximadamente 30% da população economicamente ativa do planeta. Seus principais sintomas são agonia, adoção e execução de diversas atividades simultaneamente, impaciência em situações corriqueiras e pouco interesse pelo o que os outros falam (geralmente interrompendo a todo o momento tais pessoas).

A doença foi descoberta depois que Friedman reparou que os encostos laterais das cadeiras da sala de espera de sua clínica precisavam ser trocados com significativa frequência. Ele investigou as causas e descobriu que os pacientes se sentavam na ponta dos assentos, na posição de quem pretende levantar a qualquer momento, e batucavam nervosamente nos apoios de braços das poltronas. Ele, então, resolveu estudar os efeitos do estresse. Concluiu que pessoas tomadas pelo sentimento de urgência constante e irritabilidade eram mais sujeitas a problemas cardíacos.

Em 2011, a International Stress Management Association (Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse) fez um estudo sobre a doença no Brasil. Foram entrevistados 900 profissionais entre 24 e 58 anos, em São Paulo e em Porto Alegre. Averiguou-se que 36% deles sofrem da doença da pressa. Eles sentem pressa de forma crônica e injustificada.

O alarmante é que o grupo identificado com esse perfil apresenta uma série de disfunções. Segundo o levantamento, 93% reclamam de crises de ansiedade, 91% de angústia e 57% de sentimentos de raiva injustificada. Dores musculares, incluindo dor de cabeça, atingem 94% dos entrevistados, 45% deles sofrem com distúrbios do sono e 24% com taquicardia.

Além desta parte física, e também tão séria quanto, vem a parte psicológica. Sempre há alguém querendo empreender, perder peso, aprender uma língua nova, ler mais, ou até ter mais tempo para estar com a família, mas não tem conseguido. A vida on-line, a necessidade produzir mais no emprego e a autossabotagem levam muitas pessoas a adoecerem sem perceber.

É hora de a gente parar e respirar. Colocar no papel as prioridades, estabelecer metas e estratégias e reorganizar a vida. Se não consegue fazer sozinho, busque um profissional. O que não se pode é literalmente perder a vida porque estava com pressa.

 Helena Abel é coach.

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