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Doce sombra e generosa escuridão

Doce sombra e generosa escuridão

Era uma linda e frondosa árvore. E sendo eles estéreis puseram-se a abrigar em suas sombras atraídos por seus frutos... Ao desfrutarem de sua sombra, o abrigo já não se fazia tão importante quanto os frutos ao sobrevir da fome. E eram frutos doces e suas amargas bocas foram acariciadas no desmanchar de sua delicadeza. Mas com o passar do calor e da forme o perverso olhar encontra na folhagem que resplandecia ao sol a potência capaz de absorver a própria luz. E naquele instante o coração daninho enchera-se de zelotipia. Desfolhada, restara-lhe o lindo caule imponente que ao mirar se podia contemplar majestosa escultura. Enfurecido o olhar, o fogo impotente que lhes abrasara o coração vê em sua frente o combustível que lhes faltavam para aquentar-lhes na noite fria.
Mas esquecendo eles da terra fértil e da semente que espalhara ao chão, se é nascido da força tão bela floresta que já se fazia impossível conter seu poderio. Castelo forte é o que somos, já não adiantaria intentar contra nós. A própria morte nos tornou vivos, a dor nos trouxe alívio, o pranto tornou-se canto e a solidão nos uniu.

Narrativas

INfluxo
Ângelo Oliveira
Ângelo Oliveira Seguir

-Professor aprendente -Doutor em Educação -Pesquisa inclusão escolar, subjetividade e formação de professores. -Amante da vida! Fixamente em movimento... invariavelmente mudando... harmonicamente contraditório!

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