[ editar artigo]

CONTO

 

 SOLITÁRIO

 

Sou o soldado Fraga do quinto batalhão da polícia militar do Nordeste, resido em uma rua tranquila num bairro popular em Recife, numa casa pequena mais cercada de verdes, não que eu goste de plantas, mas a casa era da minha mãe, morava lá só nós dois até o dia que ela me disse:

__. Já cresceu, já sabe lavar suas cuecas e já tem dinheiro para pagar alguém para passar suas camisas, portanto, fui...E se foi, não sei para onde. Recebo algumas mensagens dela me dando bom dia, boa noite, me perguntando como estou, se estou bem, eu respondo com um emogi, um joinha, e nossa conversa morre nisso, não que eu não a ame, amo mais que tudo, mais somos muito parecidos e os arranca rabos entre nós era frequente, então, melhor assim...Passei no concurso da polícia militar do estado de Pernambuco e fui assustar bandidos,  Apesar de ser um policial meio agitado, quando se trata de mulher, o meu lado esquerdo do peito amolece e aí elas fazem de mim o que querem, foi assim com a minha mãe e as três mulheres que namorei, uma me deu um chute porque na época eu era  lascado, não tinha onde cair morto, não tive nem o prazer de conhecer o homem que me cuspiu dentro da minha mãe, e.… Bom, ela me largou por um cara peyboy, riquinho , na época fiquei mal pacas, mas depois me acostumei. Conheci outra mina na escola, esta não sei o que aconteceu me largou também a terceira consegui ficar com ela mais de um ano, até que ela me disse, ADEUS.... Depois que eu perguntei para um cara que a estava despindo com os olhos.

__O que foi perdeu alguma coisa aqui? Ela ficou brava e disse que não precisava disso tudo.

Mais tudo o que? Acho que elas não gostam muito de homens “bonzinhos”.

Então fechei meu coração costurei com linhas grossas e disse para ele.

___. Quando ver um rosto bonito, um corpo bonito, não olhe, deixe só o lado direito olhar, que é o lado material, carnal, você fica quieto, você é todo sentimento, então fica quietinho, por favor, senão eu lhe arranco e jogo bem longe.

Nem um cachorro eu queria mais como companheiro, pois o ultimo morreu atropelado em frente à minha casa, eu o chamava de valente, minha mãe não gostava muito dele, só passou a gostar no dia que ele morreu... vai entender.

Dediquei –me completamente a meu trabalho, ficando até tarde na rua, pegando bandido, dando surras em safados e por aí vai.... Sinceramente, não gosto de prendê-los para no outro dia vê-los na rua rindo da minha cara, velho isso me deixa puto, então dou-lhe uma sova faço o cara fazer xixi na roupa e deixo ele ir embora, e quase nunca mais vejo o sujeito e quando por ventura eles me veem, passam longe.

No quartel assim como em qualquer outra repartição que aglomera gente, sempre tem aquele cara que a gente conta tudo, muitas vezes nem opina, apenas te escuta, esse é o soldado Alves, Alves fica só me olhando quando eu conto minhas lorotas as vezes até mentirosas, só para ter o que falar, ele apenas dar um sorriso concordando. Mais também tem aquele que está sempre de ouvido aguçado escutando tudo que você fala e quando menos espera sua vida vira uma piada, esse era o soldado babaca, eu o chamava assim mais o nome do infeliz era soldado Costa, Costa só fala pelas costas e isso me irrita, cara chato do caralho.

Acontece que um dia ao sair da minha casa estava me ajeitando em cima da moto quando passou um anjo caído do céu, somente de baby doll curtinho esvoaçante, colocando o saco lixo em sua lixeira quase em frente da minha casa. UAU.... Pensei, __que isso? __. Que eu nunca tinha visto por aqui. Meu lado esquerdo ficou alerta, eu disse: __. Se aquete.

Só consegui sair depois que vi aquela figura feminina endeusada, caída do céu entrando na casa ao lado.

__UAU! É minha vizinha? __. Como nunca havia visto, caramba...Mulher linda, corpão perfeito, cabelos loiros puxados para ruivos, batendo na bunda, e que B...UAU

Entrei entusiasmado no quartel e já fui contando para o soldado, Alves

__Porra! Alves a minha vizinha é a coisa mais perfeita que eu já vi, velho que mulher linda, o pior é que dessa vez eu não estava inventando, ela era linda mesmo, e dava tudo para vê-la de novo, mais para minha pouca ou nem uma sorte nunca mais a vi. Lógico que o soldado babaca ouviu minha conversa com Alves. Vou só esperar. Pensei...

Espichava os olhos através de minha janela, na tentativa de vê-la de novo, mais não aparecia nada de sua silhueta, nem a sombra dessa mulher, tinha desaparecido, cheguei a achar que era uma miragem que eu estava vendo coisa.

Nesse dia sai do quartel cedinho o sol começando a desapontar no lado leste do estado, o nascer do sol mais bonito que se pode imaginar, vinha eu pensando na minha própria solidão, mamãe assim como todos os seres humanos da raça fêmea haviam me abandonado, e isso nos últimos dias estava me incomodando, não sei nem por que, já estava sozinho a tanto tempo...

O sinal fechou, parei e sem querer olhei para o lado, lá no chão estava um montinho de pelos pretos, e dois olhos igual bolas de gude brilhando me olhando, pedindo Socorro.

__UAU! __. Pensei, quem será que deixou você aqui, o sinal abriu tive que dar uma volta até achar um lugar seguro para estacionar, voltei correndo em passos largos, chegando até ele, um filhote de labrador, não sei qual o motivo do bichinho mais lindo do mundo está largado a própria sorte.

__. Você vai comigo, não quero nem saber do resto.

Peguei-o no colo levei para casa, antes parei no pet deixando que cuidassem dele, e comprei comida para o meu solitário companheiro.

Agora seriamos dois solitários, e assim fiquei chamando ele, de solitário.

No dia seguinte ainda muito cedo minha campainha toca insistentemente, levantei-me somente de cueca e vi ver do que se tratava, quem estava ali àquela hora com tanta presa, parecendo que o mundo estava acabando-se lá fora.

Abri a porta e deparei-me com minha vizinha muito bem vestida exalando um perfume maravilhoso deixando um aroma suave no ar invadindo minha sala, cabelos bem peteados, jogados para o lada, o rosto sério.

__UAU.... Pensei, visão de outro mundo, só pode.

__. Você pode cuidar do seu filhote, ele chora a noite toda, não consegui dormir olha o tamanho das minhas olheiras.

Não vi nada a não ser um rosto perfeito, mais se ela estava dizendo.... Não tinha palavras, nada saia da minha garganta, e ela continuou gesticulado com as mãos ao mesmo tempo que falava, enquanto eu não ouvia nada, admirado com aquele quadro sem moldura a minha porta.

__. Meu marido é caminhoneiro ele chega hoje se ele ouvir esse cão chorando, não sei do que ele é capaz, então por favor.... Retirou-se me deixando parado na porta encostado na soleira sem conseguir dizer nada. Olhei para solitário dormindo quietinho em sua casinha, eu não ouvi nada, também dormi com o fone no ouvido, portanto...

Fiquei com medo do camionheiro valente chegar e maltratar meu cachorro, peguei ele no colo e o levei comigo para o trabalho.

Estava contando para meu amigo Alves o que havia acontecido quando chegou o soldado babaca, ouvindo nossa conversa, começou com gracinhas do tipo.

__AI minha vizinha gostosa é casada com um cara valentão e eu estou morrendo de medo dele maltratar meu cãozinho, ai ai , quero ver quando o chefe saber que temos um cachorro dentro do quartel.

__você não precisa contar pode deixar que eu mesmo falo.  Dessa vez falei sério.

__Tá mais eu acho que o chefe não vai gostar nada disso, e ainda de saber que a vizinha que você está de quatro por ela é casada. Não tive tempo para pensar e somente disse com os dentes trincados de raiva.

__. Cala essa boca seu porra!

_. Vem me fazer calar, vou contar para o chefe que você está escondendo um cachorro aqui dentro, no meio da corporação, e não tem como trabalhar cuidando de um cachorro. Cabeludo.... Eu odeio quando me chamam de cabeludo por usar meus cabelos grandes, batendo nos ombros nunca deixei passar disso, mais também nunca cortei menos. Até minha mãe quando me chamava assim, eu saia de perto dela, para não lhe mandar ir para o mesmo lugar que vou mandar esse cara agora.

Sai de onde estava mordendo o lábio inferior de ódio, esmurrei o rosto do soldado babaca que caiu da cadeira indo parar o chão. Houve um murmurinho todos falavam ao mesmo tempo, e para minha pouca sorte o meu chefe entrou no alojamento bem nessa hora.

__. Que isso soldado Fraga? __O que houve aqui? __ por que está batendo no seu colega.

__Ele trouxe um cachorro para o alojamento, não tem como trabalhar com um cachorro chorando o tempo todo.

__. Isso é verdade, Fraga?

__. É, respondi.

__E porque você trouxe um cachorro para o alojamento posso saber?

__. É porque a vizinha dele é casada com um caminhoneiro, e ele chega hoje e o cachorro não vai deixá-lo dormir...O Costa falava segurando um guardanapo na boca limpando o sangue. Impressionante é que sempre tem o puxa saco, do puxa saco, alguém já tinha trazido um papel para o sujeito ficar limpando a boca se vitimando cada vez mais.

__Soldado Costa deixe o soldado o Fraga falar, isso é verdade Fraga?

__. É, falei novamente.

__. Muito bem e qual é a parte que você esmurra o colega?

__Ele me encheu o saco.

__. Ótimo, então vá esvaziar seu saco em casa, cuidando do seu cão, e olhando para sua vizinha casada, três dias de suspensão, volte quando a cabeça estiver no lugar certo, ouviu?

_. Se tirar um centavo do meu salario eu te dou um tiro, chefe do caralho.

__. Olhe o respeito Fraga!

__. Pois tire um centavo do meu salário pra você ver.

Fui para casa carregando meu amigo no colo, diabos que confusão por nada, ele também não parava de chorar. Três dias dentro de casa solitário com solitário chorando não era nada animador mais quem manda mexer no que está quieto, também eu não seria eu se deixasse o bichinho no meio da rua sozinho com seus olhos pidão.

No decorrer dos dias solitário foi se acalmando e na terceira noite de suspensão acordei no meio da noite com um barulho, coisas quebrando, vozes, levantei a cabeça escutando aquilo aí percebi que era na casa ao lado, na casa da minha vizinha linda.

__Cacete, pensei, __que eu faço? Perguntei a mim mesmo. Um dos meus maiores defeitos é não pensar muito, então joguei um roupão por cima de quase nada que eu estava usando e sai para a rua, o barulho continuava, uma voz masculina falava alto, vi o caminhão em frente da casa, deduzi então que o macho alfa havia chegado e já tinha um motivo para estar brigando com a feminina indefesa. Meu lado esquerdo saltou quando ouvi o grito dela pedindo Socorro e percebi que o grito foi abafado.

Bati na porta, toc, toc. Duas vezes ninguém atendeu, e ela pediu socorro de novo, bati com mais força, na terceira tentativa o cara bem maior que eu, apareceu de sunga, fedendo a cachaça.

__O que foi? __. Quem é você?

__. Sou o vizinho, escutei gritos vi ver se estava tudo bem.

__. Não é da sua conta...VAZA... Ele falava apontando com o dedo para eu ir embora.

Eu vazei foi para dentro da casa quando percebi ela jogada no chão coberta de sangue, gemendo. O cara me seguiu gritando.

__. Sai daqui! __. Sai! __ se não ...

__. Se não o que? Perguntei, mais nessa hora já levei um soco, e mais outro, eu caí, cara covarde me pegou desprevenido, saltei em cima dele e começamos uma luta de macho, o cara era grande demais; até que eu não era tão ruim de briga, mais apanhei para chuchu.

Ele me pegou de jeito em uma gravata, quando já estava perdendo as forças vi um celular jogado no chão debaixo da mesa, com o pé consegui chutar para ela que continuava caída, tentando levantar-se, gritei chutando o celular em sua direção.

__Liga pra polícia, rápido, ligaaaa, 190 rápido.

Com as mãos tremendo ela pegou o celular e quando começou a discar com certa dificuldade o cara me largou indo em sua direção, entrei na frente, consegui dar-lhe um soco acertando seu nariz que o sangue desceu, depois outro, quando ele viu que ela havia conseguido falar com a polícia, saiu correndo entrou em seu caminhão saindo em alta velocidade, não pensei de novo peguei minha moto e segui-o.

Saímos em uma corrida violenta pelas ruas da cidade, sem medo do perigo tudo que eu queria era pegar esse safado, entramos em uma avenida menos movimentada, pulei da moto em cima do caminhão conseguindo chegar até a porta deste do seu lado, segurando firme, ele tentou fechar o vidro eu não deixei, esmurrando ele, este tentava me derrubar de todas as maneiras, mais eu estava mais grudado do que o homem aranha, até que ele bateu em outro caminhão que estava parado, sem ter como seguir, nessa hora a polícia já estava em nossa volta, desci já com as mão para cima ele também, a única peça de roupas que usávamos era apenas cuecas, e isso tirou risadas dos policias.

__Caralho! _-Isso vai dar merda, pensei, e deu mesmo.

Depois de muita gozação e muita conversa fui levado para o quartel, todo arrebentado e só de cuecas. Fiquei sentado em uma cadeira desconfortável na sala do chefe até o dia amanhecer e ele resolver aparecer.

__. Que diabos aconteceu com você soldado Fraga?

__. Fui salvar uma mulher...O chefe ficou me olhando, logico que não acreditou em mim, né, de cueca e todo estourado...

__. Salvando ou pegando?

__. Vá! __ diga logo o que você quer e me deixe ir embora, estou cansado demais para ficar aqui ouvindo gracinhas.

__. Eu devia lhe prender isso sim, anda muito nervosinho nos últimos tempos, mais três dias de suspenção quem sabe você consegue se meter em mais uma confusão e eu te expulso da corporação de uma vez.

Levantei-me querendo ir embora mais as pernas falharam fiquei meio tonto, sentei-me rápido. O chefe veio até a mim, perguntado.

__O que foi que houve soldado, você está bem?

__. Estou, só estou cansado, me deixe ir.

__Como você vai embora?

__. Sei lá, andando...

Bom, resultado, o chefe mandou uma viatura me deixar em casa.

Fiquei pensando nela o que havia acontecido, dei uma olhada na casa mais não havia nem um movimento. Mais tarde estava eu com uma bolsa de gelo ora botava na testa, ora na boca, ora no olho, quando vi um movimento na casa, fui ver do que se tratava.

Era a polícia que estava lá fazendo seu serviço tardio. A casa estava toda cercada com fitas zebradas fui me aproximando e preguntei para um dos soldados.

__. Você sabe para onde levaram a moça?

__Pra puta que te pariu. O cara me respondeu sem olhar para mim. Quanta grosseria, voltei para casa, sentei-me no sofá. Solitário deitado dentro de sua casinha me olhando com o rabo entre as pernas, eu não estava diferente.

__Ta vendo o que você me arrumou, falei alto com ele, deixando o pobrezinho com as orelhas mais murchas do que estavam.

Passaram-se os dias minha vida voltou ao quase normal, por que eu pensava nela todos os dias, como queria saber o que havia acontecido. Grande coisa, nadei, nadei e morri na praia.

Aguentei firme as gozações dos colegas que achavam que eu estava lá com ela e o marido chegou, quem dera.

Solitário foi crescendo ficando mais esperto, começamos a ir à praia dar uns mergulhos, ensinei ele a gostar do mar assim como eu, nada me deixa mais calmo do que ver as ondas marítimas vindo em minha direção, e depois sair de dentro dela, deixando que esta leve para bem longe tudo de negativo que meu corpo carrega, misturando-se naquele mundão de águas cristalinas.

Voltávamos da praia quando vi uma moça na casa da vizinha, em passos largos fui até lá bati palmas, esta me atendeu sorrindo com um olhar espichado em minha direção, não que eu fosse grande coisa, mais de cuecas, ele bronzeada pelo sol, cabelos grandes, enrolados, batendo no ombro, e de vez em quando malho um pouquinho, se não perco o pique de correr atrás de bandidos, acho que está tudo no lugar.

__Oi! Você sabe para onde levaram a moça daqui? Perguntei ignorando seu olhar passeando pelo meu corpo.

__. Sei.

__Pra onde? Perguntei animado.

__. Para o hospital.

__. Sim mais que hospital?

Ela me deu o nome do hospital, sala, horários de visitas, tudo certinho.

Meu coração disparou, acelerou, vou vê-la. Me arrumei todo, comprei um buque de rosas vermelhas, e na hora certinha entrei no quarto indicado pela moça, o leito estava vazio.

Perguntei para uma enfermeira.

__. Tinha uma moça loira aqui, ela havia sofrido uma agressão, você sabe dela?

__Acabou de receber alta, foi para casa.

Não acredito, voltei em cima da poeira, chegando bati lá de novo, mas ninguém respondeu, passei uma meia hora batendo palmas, o silêncio veio como resposta, não tinha mais ninguém lá.

__Droga. Outra vez era somente eu e solitário, solitários. Dessa vez briguei feio com meu lado esquerdo.

__. Essa será a última vez que você se envolve dessa forma, se olhar para uma mulher de novo, não tem conversa te atiro bem longe, entendeu? Nada de ficar vermelho esteja sempre azul de ódio, PORRA, está me entendendo? __ se abra de novo...

Bom joguei as flores no lixo e segui minha rotina, trabalhado e cuidando de solitário que ficava cada vez maior, e meu amigo.

Sai de dentro de uma onda gigante, jogando os cabelos para trás tirando-os da minha cara, procurando solitário que havia se embrenhado dentro d’água, quando olhei para a praia vazia naquela hora da tarde, o dia já estava dando adeus, os últimos raios dourados do sol invadiam o mar, chegando a areia onde havia uma sereia, seu corpo esticado em cima de uma toalha laranja confundido com o tom de seus cabelos.

UAU! Pensei, olhando aquela imagem única a minha frente. Solitário saiu correndo em sua direção, segui-o.

De repente ele parou e começou a cheirar a pessoa do sexo feminino, começando pelos seus pés, ela assustou-se virando rápido para mim:

__. Tira seu cachorro o que ele está fazendo?

UAU, é a vizinha, meu lado esquerdo já saiu do azul novamente, mais eu o controlei.

__. Calma, ele só está fazendo o que eu queria fazer. Respondi tentando manter a calma.

Ela me olhou abaixando os óculos escuro mostrando o tamanho dos seus olhos negros, selvagens.

__E por que não faz?

__UAU! Morri.

Narrativas

INfluxo
Maria do socorro Vieira Freire
Maria do socorro Vieira Freire Seguir

Ler conteúdo completo
Indicados para você