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Carta ao Futuro

Carta ao Futuro

   

    Caro Futuro,

    escrevo a você que ainda viu pouco desse mundo. Seus pais, filho, já não o levam ao parque nos fins de semana, não o deixam brincar com os colegas de escola. Também já não funciona a escola, ou melhor, funciona, mas do outro lado da tela de um computador. Só não funciona o espaço de tijolos, com mangueiras onde jogariam pique-esconde.

    Eu lhe escrevo, filho, pela sua pouca idade. Hoje talvez você não entenda, mas saiba que em você também está a esperança de dias melhores. A esperança de uma vida que respire livre novamente. Uma vida que não nos tape a boca, não nos prive de abraços apertados, não nos prive do amor em plenitude. E por falar em amor, filho, temos aprendido tão pouco, parece. Se nos dominava o medo, agora domina também o egoísmo.

    Não valorizo aqui o sofrimento, filho. Falo de perseverança e fé. Fé que não limita: “fé sincera, de coração purificado e boa consciência”. Fé na cura, mas não na religiosidade estrita como cura.

    A fé, filho, está para além dos muros de uma igreja. Sua casa agora é a Igreja. Fomos recolhidos à intimidade: à nossa intimidade como família, à intimidade com Deus e à intimidade de cada um consigo mesmo. Para aprendermos a ser família. E existir unidade, nos cuidarmos, e não só: procurarmos deixar a salvo também os outros. Isso é também ser família. No fim das contas, filho, deveríamos pensar e agir como uma grande família. Imagine! Uma grande família, “sem guerra, gana ou fome, vivendo como uma só”.         

    Você há de ser muito melhor!     

    Com muita esperança,

    pai presente.

Narrativas

INfluxo
Felipe Moraes
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Apaixonado pela vida, natureza, bichos, literatura e outras formas de arte.

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