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baía

baía

1-

inverso espumoso de céu

reflexo escamoso de terra

polegadas de vento girando 

a foliácea dourada

por dedos solares   

vírgulas d’água

 

a baía tem digitais

 

 

2-

baía                  regaço do mar  

espuma efervescente que amamenta as rochas

às pedras         coroa vergel

e de conchas   colares atarraxa

 

 

3-

a baía é uma mulher selvagem correndo pela floresta

suas unhas longas crescem sobre 

qualquer coisa que a ela der atenção

o navio   

um pescador   

a praia expectante

ela quer o amor

 

a baía  à noite

é uma mulher nua arqueando o quadril em 

direção ao parceiro

quando a barca toca a pele   

se arrepia

até espreguiçar novamente sua indecência

sobre os faróis de vigia

ela quer o amor

ela quer a festa

 

a festa das sereias

 

4-

à frente do convés

a baía te força a respirar

mesmo que você esteja morto

e de pé fingir que para ela olha 

e admira

 

se para você   baía   meus olhos se esticam   

é disfarce

o exoesqueleto só respira se pregado

        a um mastro

 

desculpa

mas a gaivota só quer beliscar seus

         seios para tirar comida

e   para o homem   seu corpo é um

         espelho que não o defronta

ele goza de olhos fechados com as

         unhas encravadas na sua garganta

até desaparecer na traqueia do cais

e você    rarefeita 

diminuir gemendo

em muco dilatado

Narrativas

INfluxo
Mariana Mello
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Atriz e jornalista interessada em Butoh, Pina Bausch e psicanálise.

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