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Uma pandemia, uma guerra e muitas flores

Uma pandemia, uma guerra e muitas flores
Ricardo Alves de Souto
fev. 25 - 1 min de leitura
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Capsídeo lipoprotéico com RNA coroado, mas sem tréguas

Sem aclarações, chacinam, submergem o mundo, ditam as regras

Pessoas se isolam, numa liberdade fechada, escura, angustiante

Imposições necessárias, implicações catastróficas, degradantes

 

Nossos irmãos perecem distantes de um ar que não podem respirar

Muitos arrostam, guerreiros de branco perdem a vida, por amar

Quantos sofrerão, sem a verdade ou a consolação do suposto inevitável

Quanto vale uma vida diante da verdade e da escusa refutável?

 

Enquanto ataúdes se alinham lado a lado, numa fila de incertezas

Os reis continuam a aniquilação dos mortais, não efetiva realeza

Lágrimas escorrem daqueles que perderam, subitamente seus amados

E sem poder velar ou se despedirem, carregam o trauma dos indignados

 

Nesse ambiente sepulcral, alicerçados em traumas e imensas dores

Um outro rei, levanta seu cetro e dita o ritmo das mortes sem flores

Lados extremos? a guerra não quer parar, eliminando os soldados

Os reis festejam, de seus castelos e direções o resultado pleiteado

 

Enquanto os reis comemoram vitórias, sem entendimento dos inocentes

Famílias se desolam ao ver os caixões se enfileirando, ainda descrentes

Vírus, bactérias, seres orgânicos, ninguém chama para si a culpa pelos danos

Longe, uma senhora abre, ainda auspiciosa o ataúde, iniciando os prantos  


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