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Um velho ser ou um ser velho?: notas sobre a leitura crono(ilógica) da vida

Um velho ser ou um ser velho?: notas sobre a leitura crono(ilógica) da vida

O modo como estamos nos relacionando com os nossos velhos fala mais sobre a fragilidade dos jovens do que propriamente sobre a velhice enquanto etapa da vida humana. Na sociedade do espetáculo só há espaço para o novo, para as novidades, que num ritmo acelerado, torna velho e ultrapassado o que hoje é novo a partir da versão mais "moderna" do que se fará amanhã. Não há lugar para os conhecimentos e produções do que é velho embora o "novo" se assente nas bases daquilo que se considera antigo. Temos morrido sem envelhecer, pois condenamos o velho ao esquecimento e a improdutividade. Nossa luta não deve ser para que os velhos trabalhem até a morte, mas por uma vida digna e produtiva em todas as etapas e facetas da existência humana. Na verdade, temos morrido no meio da vida quando consideramos a criança apenas como um devir, um “vir-a-ser” e o velho como aquele que já foi. Esquecemos de que a criança É, na sua essência, nas suas demandas, na sua forma humilde e acolhedora de se relacionar com o mundo. Esquecemos de que os velhos são inteiros na sua forma sábia e plena de ensinar, aprender e viver! Um velho ser é aquele que mesmo avançado em idade traz a essência do SER consigo. Um ser velho é a própria desintegração da vida por desconsiderar a possibilidade de (com)partilhar, aprender e evoluir. 

 

Ângelo Oliveira.

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Ângelo Oliveira
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-Professor aprendente -Doutor em Educação -Pesquisa inclusão escolar, subjetividade e formação de professores. -Amante da vida! Fixamente em movimento... invariavelmente mudando... harmonicamente contraditório!

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