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Três poemas

Três poemas
Aleksandro F. de Paula
set. 12 - 1 min de leitura
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Já pensou? 


Já pensou? 
Se um viajante do tempo 
ou um exterminador do futuro voltasse 
tão absurdamente no passado, 
ao ponto de conseguir pegar Deus 
com a mão na massa?  
Rebocando de barro, 
formando o primeiro ser humano. 
Que absurdo seria. 
O que afinal diria, 
ou mudo restaria, Deus, 
recapitulando todo o futuro, então 
o que faria?

 

O Beijo

Para o bem do universo, eu te deixo este beijo.
Encoste o teu queixo ao meu queixo,
e fiquemos assim, como se nada mais significasse... 
Ou restasse... no mundo, além de nós.
Olho a olho, vejo o universo se expandir no brilho dos teus  olhos.
Tudo se avultando e colapsando dentro de mim,
onde é preciso e urgente fechar meus olhos.
E numa explosão colossal, o universo,
um novo e extraordinário, é de novo feito,
lábios a lábios, num beijo.

 

De quem é o poema?

O fato é que um poema nunca é do poeta. 
Nunca, jamais, vi um poeta saber recitar o próprio poema.
O poeta não sabe exatamente explicar o seu poema.
Nem sabe explicar o que acontece com o leitor quando este lê o seu poema.
Ele, o poeta, diz: 
“Para o feito não há explicação. Para o bem ou para o mal. ”
E Borges já dizia que quem ler 
- e eu digo mais: independente de entender o contexto -
se apodera do texto e ponto final.

 

(do volume "Qualquer Possível Infinito e outros poemas")


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