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Queima de arquivo

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                                                                              CHAMUSCADO de agosto de CHAMUSCADO

DATA VÊNIA,

há unanimidades brasileiras que independem do espectro político. Como você bem sabe, por aqui é o poste que mija no cachorro. É a banana que descasca o macaco. É a pipa que empina o menino. É o negrito que usa o parágrafo e o vírus que tem que colocar máscara. E por aí vai. Eu, Dr.CHAMUSCADO, sou brasileiro da cabeça ao rabo. “Oh, ele falou rabo”. Esta não é uma nota de meias palavras, mas sim os possíveis e derradeiros vocábulos de um patriota coagido. Ninguém sabe melhor do que eu o PESO das palavras. As primeiras que balbuciei na vida foram “não fui eu”. Meus pais ficaram mais chocados do que enternecidos. Com apenas sete anos, convenci meu professor de estudos sociais de que ele era uma fraude. Aos nove, fiz papai aumentar minha mesada e com a taxa Selic passei a ganhar mais que ele. Aos 11, meu primeiro beijo aconteceu porque ameacei processar por “injúria” (?) a menina que me rejeitou. Aos 14, perdi meu cabaço em plena mesa espírita ao convencer uma senhora de que incorporei Salvador Dalí. Que nem estava morto. Aos 17, participei dos encontros que o partido CHAMUSCADO promovia à surdina. Ali descobri minha paixão (e às favas com a modéstia, também o meu talento absurdo) para a oratória. Hipnotizava aquele auditório com uma verborragia que soava como música. Inventava tudo na hora. Eu era um poeta das palavras. Um Dostoiévski. Um Manoel de Barros. Um Eminem, diria o imbecil do meu sobrinho. Sim, até os canalhas têm família. Fiz de tudo um pouco nesta vida, até contrabando de marsupiais. Fui pego na divisa com o Piauí dirigindo um caminhão com vinte coalas e uma cuíca-d’água na caçamba. Soltei a clássica “não fui eu”. Os policiais olharam estarrecidos para mim. Eles simplesmente não podiam acreditar na minha cara de pau. No tribunal, advoguei em causa própria e consegui provar que eu sequer estava no caminhão naquele dia. E mais: não eram marsupiais, eram chihuahuas. Assim descobri minha paixão. Foram anos de luta até eu finalmente conseguir comprar meu registro na OAB. Defendi honrosamente os maiores canalhas deste país. Chamei a atenção de gente graúda, entre eles CHAMUSCADO CHAMUSCADO CHAMUSCADO; e claro, o maior CHAMUSCADO de todos, o “notório” CHAMUSCADO. Em “Brasília dezenove horas” sou conhecido como

“Forrest Gump”. Não por ter um QI débil, mas por cruzar com a trajetória de uma série de presidentes, do CHAMUSCADO ao CHAMUSCADO Messias CHAMUSCADO Enriqueci vendendo minha alma para o diabo, mas foi mau negócio. O diabo, coitado, voltou para casa de mãos vazias. E a m---* finalmente respingou no meu rosto. A PF chegou de surpresa e confiscou até o laptop da Xuxa da minha filhinha. Minha cara está estampada nos jornais. Em menos de 12 horas fui exposto e cancelado na internet. Sou uma anedota ambulante nos corredores do congresso. Os generais cérebros de galinha me evitam e o próprio CHAMUSCADO da Repú CHAMUSCADO nega minha existência. Como um macaco velho de toga como este que vos fala pôde ser tão cego? Nesta disney-tupiniquim recheada de patetas, CHAMUSCADO seria capaz de dar o rabo para proteger Huguinho, Zezinho e Luisinho (“oh, o doutor falou rabo novamente). Dir-lhe-ei mais: se gritar “pega ladrão... Bom, as cartas estão na mesa. Você é a única pessoa que confio, e ainda assim porque lhe pago muito bem. Se algo acontecer comigo, deixo claro que nenhum jogador faz 7X1 sozinho. E faço uma ressalva: minha casa tem quatro suítes e eu mesmo me perco lá dentro. O fato é que jamais escondi Maurício Albatroz. Nem em Atibaia, nem em lugar algum. E por fim, agarrando-me a um lampejo de consciência e a vã esperança da redenção eterna, registro que, em março de 2018, tive um encontro com o CHAMUSCADO e mesmo eu fiquei perplexo com a “encomenda” do CHAMUSCADO CHAMUSCADO CHAMUSCADO CHAMUSCADO

Marielle Franco.

 

 

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