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Que tal um projeto que pague pela produção de água? Pois bem, já existe e é referência

Que tal um projeto que pague pela produção de água? Pois bem, já existe e é referência
Luciano Prado
abr. 21 - 4 min de leitura
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Originalmente publicado no jornal Folha da Mantiqueira*


O Plano Conservador da Mantiqueira é um plano ousado. Expansão de um modelo de sucesso internacionalmente premiado, aplicado inicialmente no município de Extrema através do Conservador das Águas, une agentes na esfera pública, no terceiro setor e no setor privado. Tal Plano tem como principal objetivo restaurar paisagens na região de influência da Serra da Mantiqueira em mais de um milhão e setecentos mil hectares, em cerca de 400 cidades; entre elas, Estiva. É mais uma ação preventiva, do que corretiva. Como objetivos secundários, mas não menos nobres, podem ser observados ao longo do tempo a melhora na qualidade do ar, do solo e, no caso da água, também na quantidade disponível.  

O Conservador da Mantiqueira atua na resolução de antigos problemas de saneamento rural e abastecimento de água nos pontos mais críticos dos municípios em que foi implementado. Além de Extrema, outros 70 municípios já aplicaram projetos-piloto até o ano de 2019. Além do mais há a possibilidade de um sistema de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), regulado por leis e decretos municipais para que os proprietários possam receber pelo cuidado com as nascentes e com a propriedade ao cumprirem requisitos legais. 

O Plano se materializa em projetos locais, como na cidade de Inconfidentes, a pouco mais de 70 quilômetros de Estiva. O Conservador do Mogi, inserido no Conservador da Mantiqueira, em 3 anos, já vê resultados. Esperam, para 2021, o plantio em aproximadamente 9 hectares para restauração de áreas degradadas.  

Ao levar em consideração que, segundo o mais recente censo, na zona rural estivense reside mais de metade da população da cidade, já é de se imaginar o tamanho do impacto que um projeto como esse teria ao ser implementado em Estiva. Pois, ao aplicar uma metodologia para resolução dos problemas ambientais, gera valor e renda extra aos produtores de água, além de estudos científicos, ao unir sustentabilidade hídrica com capacitação técnica para melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.   

Para aplicação prática do projeto no município, há disponibilidade de parceria com comissões formadas junto ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas para dar suporte de implementação do Plano. Estiva encontra-se no grupo do Campus de Pouso Alegre. Entretanto, em 5 anos de expansão, não há notícias nem indícios de que nossa cidade tenha demonstrado interesse em participar.  

Ao longo dos anos, os proprietários destes locais também podem gerar renda de maneiras diferentes, como turismo ecológico, ou até mesmo vender créditos de carbono sequestrado da atmosfera para empreendimentos que necessitem dessa demanda como forma de compensação ambiental, ou transformar as áreas em Reservas, ou Parques, mas isso é assunto para outra hora. 

Dados tantos fatos e evidências, fácil assimilar que plantar árvores e cuidar da natureza é, hoje um ótimo negócio, tanto para nós, quanto para as gerações futuras, que terão maior acesso à ambientes com qualidade não só nos recursos naturais, como de vida. Descrito um dos caminhos que podem ser percorridos, compete escolher caminhar por ele, ou não, aqueles que podem tomar as decisões sobre nosso futuro enquanto cidade, o Poder Público. 

Sobre o autor: Luciano Prado, jornalista, foi Conselheiro Superior (CONSUP) do IFSULDEMINAS entre 2016 e 2018. Também participou da implementação do projeto Conservador do Mogi, na região do Circuito das Malhas.

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