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Quando a tempestade passar

Quando a tempestade passar

No deserto, quando uma tempestade de areia se aproxima, o beduíno sabe que precisa se proteger. Não há nada a fazer. Não se pode lutar contra uma força maior que a nossa. Depois que o céu clareia, ele avalia os estragos e com o que sobrou reconstrói a sua vida.

Como descendente de árabes, eu conheço bem esse ditado popular e nem sei quantas vezes lembrei da instrução quando enfrentei uma grande tempestade na minha vida, como essa que estamos todos passando com um vírus que já mostrou que tem bastante força para tirar tudo do lugar.

Enfrentar uma pandemia não é fácil em nenhum lugar do planeta. Mesmo vivendo em uma cidade tranquila e com apenas 37 mil habitantes, como a minha Woodstock, no Canadá. As notícias que chegam perturbam, e preocupam. Mas, ao invés de frustração, elevo minha energia com tantos belos exemplos de responsabilidade social. Vizinhos que se importam com os mais velhos, profissionais da saúde que continuam fiéis ao seu juramento de salvar vidas e todos os trabalhadores de serviços essenciais que prestam a sua contribuição em uma sociedade que depende de todos.

Ao contrário de muitas outras tormentas que enfrentamos, acredito que podemos usar a tecnologia para nos aproximarmos e, principalmente, para obter as informações necessárias na prevenção e tratamento da doença. O importante é saber separar o que é notícia falsa, enganosa ou que só tem o objetivo político para propagar mais confusão na nossa já difícil tarefa de manter a sanidade mental.

A tecnologia também está fazendo o papel de nos trazer cultura e diversão. Hoje, podemos visitar virtualmente um museu, falar com um amigo ou parente que está do outro lado do mundo no conforto e segurança da nossa casa. E se você for como eu que gosta de ler, não faltam e-books para baixar gratuitamente, para todos os gostos literários.

A forma de trabalho também mudou e muitas empresas já perceberam que podem manter – ou melhorar – a produtividade com os seus funcionários trabalhando de casa, livres do estresse do trânsito. Sim, a interação com os colegas faz falta e até mesmo àquela hora do cafezinho para colocar a fofoca em dia traz uma certa nostalgia.

Por outro lado, não seria esse o momento perfeito para reavaliar a nossa vida? Para a maioria de nós o dia a dia é uma bagunça, nada romântico. Sem nenhum aviso, algo acontece e tudo desacelera. Tempo de encontrar a paz perdida na loucura da rotina para descobrirmos a nossa nova versão, com muito mais confiança e fé.

Eu até imagino que você ache difícil pensar em um mundo feliz com as notícias ruins, não só da pandemia, mas de uma sociedade que precisar curar as discrepâncias sociais. Difícil até imaginar como podemos voltar ao normal.

Normal?

Se considerarmos o desrespeito com os menos favorecidos e com a Mãe Natureza, provavelmente vamos chegar à conclusão que não estamos em uma situação normal há muito tempo. Acho até que chegou o momento de discutir as desigualdades para que todos possamos viver em uma realidade normalmente mais saudável.

O importante agora é resistir ao desespero e acreditar sempre na força da sua vontade, e reconstruir novamente quando essa tempestade passar.

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