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Porque escrevo

Porque escrevo

 

Há um lugar dentro de mim que por anos permaneceu esquecido, hibernado no frio das provações. Esse lugar sempre quis falar, existir, embora não soubesse como. Os sentimentos que ali guardei eram tão meus e particulares, que jamais pensei na possibilidade de torná-los compartilhados. Muitos invernos e primaveras passei até ter a iniciativa de vasculhar este lugar e despertá-lo, fazer uma jornada ao meu mais íntimo eu, um desnudar-se constante, abrir o livro da história da minha vida, percorrer caminhos já traçados, buscar minhas pegadas no passado e como dádiva ao presente compor outra história com as impressões do agora. Falar através de personagens fictícios ou não, criar enredos de vidas tão semelhantes, mas também tão distintas, reais em suas mil formas de existência.

 Sempre penso no intrincado caminho que uma ideia percorre para marcar o coração de quem lê, pois sem leitores, o escritor não tem sentido. Há uma sequência de acontecimentos que se sucedem na mente e no âmago de quem escreve, longa e delicada, que muitas vezes não é percebida por quem lê, pois alguns textos não são para serem entendidos, e sim, sentidos. Tudo começa com uma inspiração vinda de algum lugar que não consigo definir. Assim, nasce uma ideia que precisa ser transcrita, traduzida e explicada em palavras. Uma tarefa difícil, pois muitas vezes há um turbilhão de sentimentos que não conseguimos sequer nos entender. Da inspiração até o coração do leitor, o que penso, sinto e imagino, tem uma reta final no sentimento de quem recebe minha mensagem. Se pelo menos, por algum momento, minhas palavras causarem emoção a uma pessoa que seja, estarei satisfeita, pois escrever é acolher, sentir, provocar, realizar, compartilhar. Sempre uma tentativa de desvendar as inúmeras ideias e imagens que passam pela minha mente na esperança que do outro lado alguém irá captar o que realmente há nas linhas e entrelinhas. Escrever é como renascer a cada parágrafo, multiplicar-se em diversos eus em todo texto que nasce. Registre um pensamento e teremos um escritor.

Que minha arte, mesmo que pequena e simples possa sair do melhor de mim e provocar em alguém alguma emoção. Se um sorriso nascer ou uma lágrima descer, estarei realizada. E se o que penso levar o outro a pensar também, então alcançarei os céus, onde, com certeza, moram os pensamentos e ideias que insistem em falar por mim.

 

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