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Os sentimentos e a Pandemia

 

E o ano trouxe um desafio, um dos maiores desafios que a vida podia apresentar. Da noite para o dia foi preciso de todos isolar. Beijos, abraços tão comuns em nossos dias, foram impedidos e até substituídos.

            O período de isolamento trouxe também muitos sentimentos, algumas vezes contraditórios que exigiram um autocontrole que nem conhecíamos. Uma avalanche de emoções começou a aflorar e com elas profundas reflexões, tão profundas que muitas vezes quase nos vimos engolidos pelas mesmas. Uns conseguiam submergir, voltar à tona, outros sucumbiram, necessitaram de auxílio para que não fossem levadas as profundezas das emoções, mas até mesmo nesses momentos foi possível perceber o surgimento de sentimentos a muito tempo esquecidos e a solidariedade, empatia e respeito marcaram sua presença, de forma tímida, mas mostraram que ainda existem.

            Não foi nada fácil, foi um convite ao autoconhecimento, ao novo, a descobertas. Uns se reencontraram, outros se descobriram e há os que se perderam e até desistiram. Uns perceberam habilidades e dons que nem sonhavam ter. Há os que superaram seus limites e os que com eles aprenderam a viver. Houve vencedores e vencidos. Um desabrochar de uma primavera forçada e o mundo precisou se reinventar.

            Em meio a falta do olhar, do toque e do falar se descobriu como fazer isso tudo para perto conseguir estar. E as redes sociais passaram a protagonizar a vida. Até mesmo quem dela era avesso, não achou outra saída. Rendeu-se ao que a mesma oferecia como única possibilidade de banir a solidão dos dias.

            Descobrimos que entre nós muitos heróis viviam, disfarçados pelo cotidiano, mas ali estariam e passamos a identifica-los com maior facilidade, respeita-los e amá-los com toda sinceridade.

            Enquanto alguns sonhos se desfaziam, tornavam-se terríveis pesadelos, outros nasciam e faziam seu apelo. Projetos antes guardados, agora desengavetados, tirada poeira e colocados a prova. O mundo precisou se reinventar.

            Conflitos de gerações, de visões e de todas as naturezas vieram à tona e dividiram opiniões. O que para uns era visto como certo para outros nem tanto. A busca por culpados, a quem responsabilizar acabou sendo constante. E o mundo precisou se reinventar.

            Vimos partidas e dolorosas despedidas e chegadas tão desejadas. Os dois lados da mesma moeda, as duas faces de uma mesma vida.

            Vivemos em meses o que não desejaríamos ter vivido nem um segundo e assim passou-se o tempo em todo o mundo. Dia após dia uma constante busca pelo viver. A vida ganhando o lugar que sempre ocupou, mas que nunca lhe foi permitido ter.

            Há os que digam jamais esquecer, mas os que do esquecimento dependem para reencontrarem o sentido da vida. Há os que no momento ruim descobriram o impulso para o crescimento e os que com ele perderam as ferramentas para dele desfrutar. O mundo precisou se reinventar.

            Nada mais será como antes. Pensamentos, opiniões, ideias passaram por mudanças constantes. Mesmo os mais reticentes as mudanças, não conseguiu impedir que acontecessem no seu íntimo e assim existir.

             Daqui para frente um novo olhar em nossa jornada deverá nos acompanhar. A vida trilhará novos rumos, novos cenários, novos hábitos, novas formas de agir e também de sentir, pois o mundo que nos espera no retorno a vida ganhou novas cores, novos amores e uma nova saída.

            “O mundo, precisou se reinventar. ”

 

                                                                              FIM

INfluxo
Jacqueline Quinhões da Luz
Jacqueline Quinhões da Luz Seguir

Sou Graduada em Letras e Pedagogia, Pós-graduada em Neuro psicopedagogia, Docência do Ensino Superior. Atuo na educação a mais de 30 anos, sendo os últimos dois anos dedicados ao atendimento de crianças com dificuldades e distúrbios de aprendizagem.

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