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O QUE O ALGORITMO FEZ COM AS MULHERES NOS QUADRINHOS E O QUE A MULHER GRAFITEIRA PODE ENSINAR

O QUE O ALGORITMO FEZ COM AS MULHERES NOS QUADRINHOS E O QUE A MULHER GRAFITEIRA PODE ENSINAR

(esse texto não tem a intenção de ofender ou dizer a última palavra, só refletir)

Em 2014, vi nascer um fluxo de mulheres fazendo histórias em quadrinhos juntas acompanhando o aumento da militância feminista na internet com o crescimento de redes sociais como o Facebook no Brasil. Talvez eu não tenha enxergado bem o que 6 anos fizeram com o destino que cada qual foi escolhendo: quem sabe a idade estudantil da maior parte das participantes e as necessidades de se inserir no mercado de trabalho fizeram com que essa linguagem ficasse distante da realidade da maioria delas. Penso que esse verdadeiro bando de lobas de 2014 tinha muita energia, mas uma inocência em contrapartida que não previu o esfacelamento de si, ou, em realidade, nem se preocupou com isso. O fato é que algumas poucas permanecem com a visibilidade feminina tão sonhada. Há quem diga que foi por mérito das resistentes. Eu concordaria se eu acreditasse em meritocracia...Mas não é o caso.

Quando se falam nas sobreviventes, quase sempre aparece o argumento de que os bons se sobressaem. Mas não foi esse caminho por exemplo, que as grafiteiras, outro grupo artístico feminista que faço parte, em sua grande maioria escolheram. No levante feminista das últimas décadas, as grafiteiras estão se reorganizando talvez não como um grupo formal, como era há alguns anos, mas em torno de algo mais forte: a cosmologia afrodiaspórica. Tenho observado que é essa cosmologia que alimenta o crescimento estético delas, fazem com que espontaneamente compartilhem o trabalho uma da outra em suas próprias redes. Acho que faltou esse laço subjetivo mais forte nas quadrinistas. A sororidade a curto prazo das quadrinista por si só não produziu solidariedade a longo prazo.

Quando penso sobre isso e os caminhos artísticos que escolhi, em meio a essas duas ondas, entendo porquê eu abracei mais o grafite nesse aspecto. Eu não ganho dinheiro com ele, mas é uma expressão tão forte nas suas bases que persisto. Pode-se pensar que é mais difícil fazer quadrinhos que grafitar nas horas vagas? Depende...no grafite tem o esforço de você gerar um rolê pra comprar latas caras, se arriscar fisicamente, entre outros percalços de natureza diversa. Mas uma coisa é certa...no grafite não estamos sozinhos. Suspeito que foi isso que matou a vontade da imensa maioria daquelas quadrinhistas que sonharam em 2014: a solidão.

Se esse texto reverberou em alguma mulher que faz(ia) quadrinho, estou disponível ao debate nas redes sociais! @doladodasombra no tuiter e @ludesilud no instagram. (não tenho certeza se essa rede desse post tem caixa de comentários)

 

INfluxo
Ludmila Nascy
Ludmila Nascy Seguir

Sou uma mulher piauiense: artista urbana, ilustradora e jornalista especializada em Gestão Cultural.

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