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O Falecimento da Constituição Federal

O Falecimento da Constituição Federal
Dennis De Oliveira Santos
set. 15 - 3 min de leitura
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Brasileiros, eu, a Constituição Federal Brasileira de 1988, tenho o doloroso dever de informar que estou sendo escandalosamente ferida e sepultada... São dias em que se findaram a dignidade popular. O meu precoce falecimento se dá com o duro golpe de negar a garantia individual da presunção de inocência ao meu povo, de desejarem impor mais anos de labuta aos humildes, de limitar o ato de greve aos trabalhadores enquanto nos palácios estouram champanhes para homens toscos e avarentos.

A minha cova é alargada toda vez que a fúria das elites esfacela garantias fundamentais ao martelar decisões entre asneiras jurídicas e interesses espúrios do grande empresariado e rentistas financeiros. A pauperização da classe trabalhadora foi iniciada com a reforma trabalhista operada por Temer ao oficializar que deixam de serem consideradas como integrantes da jornada de trabalho as atividades como descanso, o estudo, a alimentação, a higiene pessoal e a troca do uniforme. Quando organizam a desumana ideia do banco de horas - colocando fim às horas extras ao trabalhador, instante em que as empresas podem "negociar" diretamente com os empregados a compensação de horas trabalhadas. Quando diminuem o tempo de intervalos para o almoço, incentivam a terceirização e esfacelam as organizações sindicais.

No governo Bolsonaro, a continuidade radicalizada do golpe de Estado. Com ele, a malfadada reforma sentencia que os trabalhadores poderão trabalhar aos domingos, mas recebendo hora normal e apenas folgando outro dia da semana. Ao serem demitidos sem justa causa, os "oreias secas" agora receberão apenas vinte por cento do seu FGTS. Um programa de trabalho verde e amarelo que de tão "nacionalista" pretende cobrar imposto até dos desempregados e dificultar a vivencia dos aposentados.

E assim me trucidam com a desumanidade de um banqueiro. Transformam as escolas em planícies decoradas pela ignorância primária – ambientes preparatórios de corpos/máquinas para se instalarem em fábricas, desviando os narizes de qualquer contraponto crítico a uma vida poluída de chaminés e macacões. Enquanto desobedecem aos meus parágrafos, incisos, princípios, esses homens do poder transformam carne operária em suculentas cifras a serem saboreadas e vomitadas pela degenerada elite. Os temerosos jantares de parlamentares canalhas!

Adeus meu povo, o qual sofrerá uma fatídica aniquilação de direitos sociais. Em vinte anos colherão crianças anêmicas e desassistidas em violenta fome e padecimento que hoje só se vê na mãe África. Haverá uma Ruanda sul americana. Neste período de 2016 a 2019 (que virou um 1964 camuflado) exterminaram, esfacelaram, cortaram, diminuíram, flexibilizaram, alteraram, retiraram os poucos caminhos de dignidade aos subúrbios em troca de alimentarem vacas já gordas e que sempre privatizaram as imensas riquezas desse país. Fim de história constitucional, restos de caquética democracia.

05.12.2019



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