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O dia de amanhã será melhor, talvez

O dia de amanhã será melhor, talvez

 

O dia de amanhã será melhor, talvez.

No princípio, como a calmaria antes da tempestade, tudo era normal. As pessoas iam e vinham de suas festas, escolas, trabalhos. Nada parecia estar prestes a acontecer.

Não foi como nos filmes, um monstro horrível apareceu e arrastou a todos devorando duas carnes e jorrando o sangue de suas cabeças decepadas. Foi como o monstro do livro de Josh Malerman, invisível e letal.

Mas com esse monstro real, não é nossos olhos que devemos cobrir. Cubra teus lábios e nariz e assim viverá, o letal monstro não levará tua alma, nem tampouco teu corpo será alimento para os vermes da terra.

Por isso aguardo aqui em minha caixa, como um pássaro cujas assas foram arrancadas, aguardo o dia ser melhor amanhã, mergulhando nos vícios, já que o mundo não me ensinou a ter paciência e ficar quieto por muito tempo.

Ele obriga o homem a trabalhar, trabalhar e trabalhar, ele me transformou em máquina e agora quer que a máquina dê uma pausa para não colapsar e morrer e o dinheiro parar de rodar.

E outros tampouco se importam, podem substituir a máquina por outra, há milhões iguais no mundo.

Ninguém liga para o monstro enquanto ele não mata o vizinho. Matar um lá do outro lado do mundo não importa, mas matar o vizinho é risco. Ele tá perto, pode me matar também. Devo cobrir a cara e fingir que me importo com todos.

Mas a verdade, ninguém se importa com ninguém. É cada umbigo em seu humano, é cada vida em sua caixa.

E o monstro continua dançando nas cidades, buscando o próximo nariz descoberto por aí.

Pois os heróis estão brincando de fingir, enquanto salvam a própria alma moribunda da morte prematura.

 

 

 

INfluxo
Bianca Blauth
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Alguém cujo jardim ainda está florescendo.

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