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O Aniversário

O Aniversário

Os aniversários de Dona Eulália, sempre foram magníficos, muito embora um mulher fora do tempo, já que, nascida no meado do século vinte, não lograra condições para inteirar-se da modernidade, celular ou computador nem pensar, no máximo, o uso do telefone fixo. A compensação por não estar atualizada, aparecia flagrantemente em sua maneira de ser. Amável, amiga, solidária, seus atributos encantava a todos.

Filhos, genros, noras, netos, sempre mostraram satisfação em render-lhe merecidas homenagens.

LAURO-----Bem, todos já chegaram, nesse caso vamos fazer um brinde enquanto as mulheres aprontam o almoço!

ANTÔNIO-----Vamos lá! Vamos lá! A cerveja não pode esquentar! O Valdemar, não bebe nada?

VALDEMAR-----Não, só bebo vinho!

OS HOMENS BEBIAM E CONVERSAVAM ANIMADAMENTE, ENQUANTO AS MULHERES PREPARAVAM UMA MARAVILHOSA MACARRONADA, ARROZ DE FORNO, FEIJÃO, BIFE A MILANESA E COMO NÃO PODIA FALTAR, O BOLO DA ANIVERSARIANTE.

VIRGÍNIA-----Dalva, passa uma cerveja pra mim!

DALVA-----Pra você não, pra nós né querida!

DONA EULÁLIA-----Veronica, minha filha, me ajude a arrumar a mesa!

VERONICA-----É pra já!

NO QUINTAL, A BEBEDEIRA, A TRAGÉDIA ESTAVA ANUNCIADA

ANTÔNIO-----O Valdemar, toma aí um copo, você tá muito snobe, só bebo vinho!

VALDEMAR-----Não enche, eu estou bebendo vinho, e é isso que eu quero beber!

LAURO-----Hum! As bonecas estão nervosas!

ANTÔNIO-----Boneca é você, seu vascaíno perdedor!

LAURO-----Olha só quem está falando, pó de arroz otário!

TUDO PRONTO, INCLUSIVE O BOLO, DONA EULÁLIA CHAMA A FAMÍLIA À MESA, O CLIMA ESTAVA FICANDO QUENTE, TODOS JÁ ESTÃO BEBADOS, A BOMBA PRESTE A EXPLODIR

DONA EULÁLIA-----Venham todos, sentem-se, vamos almoçar!

LAURO-----O boneca, passa aí a bandeja de bifes(referiu-se ao Valdemar)

VERONICA-----Hei!!! Meu marido não é boneca não, temos três filhos, e você, nada até agora.

VIRGÍNIA-----É melhor você parar, teu marido sabe que você tem um grande amiguinho na empresa aonde trabalha

VERONICA-----Ele é homossexual, o pintora de rodapé

ANTÔNIO-----Mãe, pega a pimenta pra mim!

LAURO-----Pega você o preguiçoso!

ANTÔNIO-----Se continuar a perturbar, vou quebrar tua cara!

DALVA-----Vamos parar por aí, parelha de burros, vou trazer capim pra vocês!

VIRGINIA-----Cala essa boca, parece uma galinha cacarejando!

LAURO-----Chifrudo, recalcado!

ANTÔNIO-----Puxa saco, baba ovo!

VALDEMAR-----Pederasta, passa fome

VIRGINIA-----Nanica, mal amada

DALVA-----Seca, sem bunda, perna de saracura

VERONICA-----Pé de cana, pudim de cachaça

NO TÃO ESPERADO ALMOÇO, NINGUÉM MAIS SE ENTENDIA, ANTÔNIO ENFIOU A MÃO NA MACARRONADA E ATIROU NA CARA DO VALDEMAR, ESTE, JOGOU A TERRINA DE FEIJÃO EM LAURO, VIRGINIA, ATINGIU DALVA COM UM PUNHADO DE ARROZ, VERONICA, ATINGIU A CARA DO LAURO COM O PUDIM, O BOLO MAIS PARECIA COM RUA DE BARRO EM DIA DE CHUVA, OS BIFES, ATRAVESSAVAM A SALA E GRUDAVAM-SE NAS PAREDES SOBROU, O GLACE, SERVIU PARA TOMBOS ESPETACULARES A POBRE DONA EULÁLIA, TINHA IDO A COZINHA APANHAR MAIS CERVEJAS, QUANDO VOLTOU, SÓ DEU TEMPO PARA UM GRITO:

DONA EULÁLIA-----Paaaaaaaaaaaaaaaaareeeemmmm

A aniversariante foi ao chão, estava morta

Agora, toda a família voltará a reunir-se, no velório.

 

 

 

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