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HIPOCRISIA PERI-COVID

Indiferentes a bendita pandemia que circula pelo mundo, os subúrbios luandinos mantêm-se apáticos a tudo. Contemplam-se suores mais esforçados, pelo pão, de baixo do sol, mas os desvaneios são iguais aos de ontem, pela descrença na verdade da doença, pela bravura de quem opta morrer de covid por não suportar o corroer lamentável de filhos famintos ou pela semvergonhice dos que se valem de qualquer oportunidade para legitimar inatividade, descanços e convívios.

Ignorantes aos sábios conselhos dos infinitos fazedores de opiniões que não enchem barriga nem pavimentam ruas, confusos entre as promessas dos políticos que nos fazem sonhar com fartura e os que nos ludibriam e ameaçam para esquecer a miséria dos bairros empoerados e incompreensíveis a revolta dos incansáveis trabalhadores julgados por critérios injustos, o musseke mostra-se imutável, insensível, grande.

Acorda o jovem de um sono forçado, cansa-o muito a inatividade, ser-lhe-á melhor recorrer a algumas cervejas para enfrentar mais descontraídamente a lentidão da noite que se fazia presente, mais quieta do que a do dia anterior. Pós-se a rua para compra-las, as pessoas estavam todas em lugares estratégicos, próximas a becos e portas. Enquanto esperava por sua vez na loja de sua rua, ouvia falarem do, ja enjoativo, tema do momento.

- Não passa de lavagem cerebral. É tudo política! – Gritava um senhor mal humorado. O jovem forçava-se por abstarir seu incómodo pelos gritos e pelo hálito do senhor.

- Num fala isso. Tá pensar que é à toa que os europeus estão a desconseguir com essa doença? – Advertiu um senhor que nem fazia parte da conversa, carregado em sua mão direita de um pequeno pacote de whisky.

O primeiro senhor fingiu não ouvir o segundo e continuou falando para o seu amigo – O que não se percebe é que, a mídia fatura com o nosso medo, o governo encontra justificativa para tudo que não fez e as grandes potências reafirmam sua sobreposição aos pequenos... – Abana a cabeça lamentando e acaba sua cerveja num gole único.

- Jóvem! – Grita a atendente – Não vais pedir nada?

- Três cervejas, por favor! – O jovem respondeu sem desconectar, totalmente, sua atenção da conversa dos senhores.

Apercebendo-se de sua exclusão da conversa, o senhor do wisky murmura provacativamente olhando a senhora da loja – Teimosia é que vai nos matar, só quando estivermos a morrer tipo cães e que vão acreditar...

‘’Azar não custa’’ – pensou o senhor que ouvia o primeiro. Sorriu sogestivamente como quem se contém muito.

O jovem recebe suas servejas e diz que sim ao pedido de espera pelo troco. Sem recebe-lo ouve a sirene do carro da polícia não muito distante causando o pánico total. O jovem, como o resto, entrou correndo pelo beco mais próximo. Nos becos estava-se a salvo da polícia e à merecer dos marginais enquanto nas ruas principais, é o contrário.

Caminhou por entre o conforto da escuridão dos becos até chegar a casa onde muito se esforçou para que o sono lhe visitasse pela quarta vez naquele dia.

Levantou-se cedo, buscou boa dispusição nalgumas flexões de braço e foi a rua correr para desfazer-se dos excessos do dia anterior. Alongar-se em corridas lentas permitia-lhe contemplar o acordar silencioso do musseke, o matutinar dos trabalhadores esforçados e malpagos e a auxência da grande maioria confusionista que, normalmente, dá vida ao musseke.

Terminada a corrida e refrescado o corpo transpirado, ouvia-se pelos quintais a dentro, o anunciar musicalizado da passagem da vendedora ambulante de pão e foi aparecendo um rosto por casa para adiquirí-lo.

- Tia estrela, o pão está muito ferrado! – Reclama o rapaz

- Eh! O trigo tá difícil – Informou – próxima semana vá minguar mais.

- Não está a usar máscara por quê, tia Estrela?

- Num tó conseguir respira. Tá me sufocar mesmo de tudo!

- Está bem.

Por lá, passavam muitos vendedores ambulantes, de espírito forte, com tragetos intermunicipais, suprindo as necessidades básicas de todos quantos pudiam.

Pela rádio oviam-se discursos de condenação à negligência dos cidadãos pela não adesão as medidads de prevenção. Verdade verdadeira, é que é muito fácil julgar o musseke quando não se faz parte dele. A cidade de Luanda é demasiado pequena e não consegue albergar todos afurtunados da capital, por isso entre os filhos dos bairros há quem, incompreensivel, também grite seu repúdio pela janela, mas estes não pertencem ao bairro, só lá estão.

 ‘’Eu não percebo como é que essas pessoas pensam – Dizia a voz da rádio – A comunicação social está há meses levando a cabo campanhas de sensibilização... Vocês não estão apenas a arriscar a vossa vida! Percebam! Ficar em casa é um dever patriótico, parem de...’’ – O jovem desligou o rádio, não se fazia sentido, aquilo não servia para o bairro. Ficar em casa não é factível para uma família de oito menbros cuja residência mede seis metros ao quadrado.

A rapaziada estava toda intediada, então, havia jogo programado para à tarde. Tão logo a ardência do sol amenizou, colocavam-se meias de pares diferentes em pés frenéticos que iam para um calçado velho e custurado ou para uma outra meia. Dispostas as balisas de salão sobre as margens da pequena esquina no final da rua, faziam alguns passes na bola nova comprada a vaquinha enquanto se esperava pelos craques mangonheiro e vaidosos. Passou-se a bola a equipa julgada mais fraca e o jogo começava. O rapaz atrazara e por isso ficara no banco, tambem não era grande referência. Chutava-se o dia na alegria de um passe e recessionava-se a calma da noite com a satisfação de um desgastante jogo de futebol.

As noites, eram um pouco do mesmo e as manhãs, um pouco do parecido. A vida passava-se no alheio ao pánico do mundo e à falsa preocupação dos demagogos vestidos de amantes dos sofredores. As gentes destes mussekes continuavam respirando pó e procurando água; suando exaustivamente pelo pão ou arroz e mergulhando terapeuticamente sobre refrescos alcolizantes... e, mais importante, seguindo em frente, firmes como manda a tradição. O musseke nasce para sofrer e rala para viver, sofrendo.

Semanas passavam-se tolerantes ao mando dos agentes sanitários e policiais, em vão iam-se os zun, zun, zuns. Não se sensibilizam os mal-educados nem os desnorteados nem os vagabundos, talvez os de lá longe.

As manhas frustradas na escasses agravada dos produtos alimentícios obrigaram o jovem a juntar-se ao aglomerado desordeiro que esperava e forçava sua vez no multicaixa mais próximo ainda nem o sol se havia levantado bem. Ninguém se atrevia de esperar um metro atrás do outro pois estavam atentos aos espertalhões que se serviam das melhores desculpas para passar a perna aos ingênuos e destraídos.

Voltava a casa desconfiado de todo estranho que o encarava, apreensivo com seu dinheiro escondido nas meias para enganar a astúcia dos ladrões.

Mesmo antes de confortar-se ao sucego de sua casa desconfortavel, o jovem foi alarmado por vivas súplicas em favor do Senhor Kizua que, como pode constatar ao sair para acudí-lo, estava se enroscando ao chão agarrado ao peito, dificultado de respiração, com seu carro de lixo deixado ao chão para lá de si.

- Dêem espaço para ele respirar! – Aconselhou um senhor que estava de passagem.

Havia um grande aglomerado de visinhos preocupados prontos a prestar sua solidariedade. No musseke não se poupam ajudas.

- Vamos levar-lhe ao hospital! – sugeriu o jovem.

Os mais fortes jovens prontificaram-se em leva-lo ao mais próximo centro de saúde, um deles coloco-o no ombro prontos a seguirem caminho.

- Esperam, filhos... assim vão vis complicar na polícia. Aguardam! – Advertio senhora Engracia que desapareceu num pé corrido e regressou noutro com luvas estéries e máscaras de pano – Assim tá bom.

Em vinte minutos, seus passos apressados e firmes os levaram ao hospital, onde depositaram o homem dispnéico e frebril que foi, preocupantemente, recebido pelos profissionais de saúde, reclamões de seu fedor a lixeiro e especulantes sobre as parecenças aos casos de covid19.

Um enfermeiro deu fim a eterna espera dos jovens por notícias, informando que o senhor kizua ficaria internado.

O bairro inquietou-se pela ausencia de seu fiel lixeiro, o musseke enviava ao universso sinceros pedidos pela sua recoperação. Três longos dia passaram-se encobertos pela expontaniedade da vida do bairro. Senhor Kizua recebeu uma visita da vizinhança e logo foi transferido e impedido de receber vizitas.

Mais algum tempo esquinou-se, senhor kizua havia sido colocado em quarentena institucional, obrigado a conter suas andorias, não se engaiolam velhos pássaros selvagens como que domésticos, senhor Kizua dava em doido.

A gente que pensa este país falava em uma possível infeção comunitária. O jovem temia que se lhes fosse tirada a mísera paz que embelezava sua desgraça, tal sentimento foi, mais tarde, concordado com o chegar das gentes fardadas de lá, munidos de olhares complexados e ações vaidosas.

Polícias cercavam todas entradas e saídas humanamente possíveis, armados desnecessariamente até ao dentes. Médicos preparavam-se resmungões em seus postos móveis. Vozes de gente nobre afinavam-se para falar, ilegitimamente, pelo musseke do qual se dizem estudiosos e conhecedores.

Em volta a toda ignorancia, surgiam reações distintas entre os que se atordoavam com panico, os que se entretiam com a novidade e os que se viam sufocados pela dependencia imposta.

Testava-se as pessoas por coluna de casa, enquanto não se terminasse ninguém podia sair.

O silêncio imposto valorizou o barulho da fechadura que se deslisava para permitir o abrir forçado da porta enferrujada da senhora Andrea que saia com seus filhos, todos cedentos de ar, posicionaram-se um paço a frente da casa.

- Minha senhora, entra imediatamente em casa! – Ordenaram os dois primeiros oficiais que os avistaram.

- Mó pai, não tó mais conseguir de ficar lá dentro, está muito quente, as crianças tão a tossir muito. – Respondeu senhora andrea amedrontada.

Aproximou-se um deles, impondo-se – Senhora, não complica, entra, entra, entra já.

- Fala bem com a senhora! – exigiu arrogantemente um rapaz que emergia em cima da parede de seu quintal.

O agente, constrangido e com a autoridade a prova, fez dois tiros no ar fazendo ambos cederem, senhora andrea com brevidade e muito medo mas o rapaz com alguma relutancia.

Daquela gente podia ser tirado tudo, desde a própria casa a dignidade, podia-lhes ser violada a integridade física ou psicológica mas, de certeza, não podia-lhes ser tirado o musseke nem uns aos outros. Essa gente morria por nada mas vivia por isso.

Os dias se foram passando, as pessoas injoando de casa e das rações alimentares dos militares; os agentes e médicos injoavam do musseke; não suportavam-se uns aos outros. Tudo o que os mantinha como estavam era o faz de conta que conduz este país.

A intolerancia das pessoas ao confinamento e a insensibilidade dos oficiais da polícia proporcionaram inúmeras cenas de violencia psicológica e até física derivada de confrontos entre os que se impõem e os que não se reprimem.

Numa manhã fria de domingo, o jovem acordava com a musculatura e a dispusição atrofiados, sua natureza instintiva falou mais alto, calçou os sapatos e de fato olímpico saiu de casa para a rua, contemplou o bem-saber do ar fresco e da ilimitação do espaço, alongou-se, caminhava e corria, pronto para a rebater qualquer invistida policial, verdade foi que, de tão cedo que era, não se avistava agente nenhum nem no começo nem no fim da corrida, era coragem disperdiçada.

Para o atinar das malandrices das pessoas, os agentes não eram incansaveis nem os mais bem organizados, eles posicionavam-se as sete e cochilavam a meia-noite. Dando uma brecha de sete horas seguidas àquela população. Nos dias seguintes serviam-se das madrugadas para apanhar ar fresco, dar presença aos vazios frios das ruas e confortar-se uns aos outros. Tudo no mais brando silêncio.

Dia seguinte, Abel, em plena tarde abriu sua porta e saiu carregando o saco de lixo na maior tranquilidade assobiando para si descontraidamente. Com grande rapidez, foi afrontado por dois polícias ordenando-lhe que voltasse para casa.

- Não posso ficar com lixo em casa! – Respondeu em tom desafiador e continuou andando.

Os agentes puxaram-no pela camisola, violentamente – Não brinca com a nossa paciencia.

- Não me pega assim, xé! – Retrucou.

Um deles manipulou sua arma e fez dois disparos para o céu – Brinca mais de maluco!

Abel parou, pousou seu lixo e encarou-o, estranho. Moveu seus indicadores para a boca e asobiou autíssimo deixando os agentes confusos, segundos depois abriu-se uma segunda porta fazendo sair uma família inteira com sacos de lixo na mão.

- Oié, voces estão a ir aonde?

- Deitar o lixo. – responderam.

Um deles segurou o purete e correu raivoso para os obrigar a entrar. Quando chegou ao pé deles abriu-se uma terceira porta, uma quarta, outra quinta e assim sucessivamente, ao fin de alguns minutos estava a rua lotada de gente que se ungia da poeira confortante de seu musseke.

Os agentes, indefesos e impotentes, clamavam por auxílio em seus rádios. O jovem andava entre as pessoas alertando para que colocassem máscaras, ‘’não podiam ignorar totalmente os conselhos dos agentes’’, pensou.

Chegaram os polícias todos determinados em repor a ordem e a legalidade mas, infelizmente, suas forças eram insuficientes e suas estrtágias falhas, foram impiedosamente afundados na maré de indiferença da multidão impossível de conter.

Ficaram então, apenas impedidos de transbordar as fronteiras do musseke. A polícia não se opunha com bravura pois o teste do senhor kizua dera negativo depois de ter dado como indeterminado na primeira vez e sessenta por cendo dos testes da comunidade dera negativo, esperavam os quarenta por cento restantes com espectativa de serem iguais aos outros.

Alguns dias depois, quando a violencia policial perdia espressão e já não se avistavam médicos nas redondesas, o musseke banhava-se em risos largos de alegria por ver seu filho kizua voltar ao lar. Regressava magrinho mas vertido em incontaveis histórias e reclamações. As histórias eram do que de mais nobre um lixeiro do gueto podia dar aos outros. Eles valem mais pelas suas vivências.

A comunidade acolheu de muito bom grado o senhor Kizua e seus credos na brevidade da normalização de seus andares aumentavam.

Infelizmente para todos, um dos últimos duzentos testes obteve resultado contrário do de todos os outros.

Alarmando a gente que envaidecia-se pelo condizer das máscaras, pararam duas ambulancias no meio da rua confusos sobre o rumo a tomar, desistidos de guiarem-se pelas advinhações, um agente sedeu o orgulho, desceu e direcionou-se aos jovens que disbundavam atenção descarada aos agentes.

- Bom dia, jovens? Como estão? – sorriu como se houvesse intimidade.

- Bom dia. – responderam contidos em curiosidade.

- Estamos procurando pela senhora Engracia, podem nos indicar a casa?

- Aqui não vive nenhuma Engracia! – Disse precipitado o mais novo.

- Deve ser a tia graça. Entrem por esse beco e depois curvam a esquerda, há lá um quintal com váras casas, é só perguntar.

- Obrigado, fiquem bem jovens!

Impossiveis de carregar todos os seus recursos consigo. Seguiram desprovidos de muitas de suas geringonças, encontraram a senhora estendida num luando disposto no meio do quintal, debaixo da árvore da casa, com um lenço envolvendo sua testa e enbotidos de ervas cobrindo uma das narinas. A presença dos agentes instalou o medo total nas pessoas da casa, depois de esplicarem-se levaram todas as famílias residentes daquele quintal para os centros de quarentena.

O musseke não compartilha apenas as bençãos, também os azares. Uma semana passou-se e apesar da preocupação pelas famílias idas ao desconhecido tenebroso, a vida voltava a normalidade, usar máscara já não tinha graça nem para as crianças.

O jovem, solitário que era, desejava fortemente que o trabalho começasse o mais rápido possível.

Ao meio da segunda semana houve ponderação nas saídas a noite sem rumo, nas músicas altas e nos divertimentos cansadores. Estrannhamente, não havia gente em esquina alguma exigindo trocos de modo intimidatório, as ruas abeiravam-se do silencio, da organização e da não lotação.

Mel e limão não resolveram o problema de garganta daquela gente que se achava dura de pedra e inderrubável por doença, começaram considerar ir aos hospitais, até os mais velhos, mesmo com sintomas ainda não drásticos.

Tres dias passaram-se e o caos instalava-se família a família, esquina a esquina. As ruas desolaram-se, as noites enforcavam-se no silencio e a gente do musseke reprimia-se na amargura da insalubridade.

O foco foi descoberto devido uma família que recorrera ao tratamento hospitalar.

Pela segunda vez um batalhão de agentes e médicos invadiu o musseke para socorrerem as mesmas pessoas. Estavam todos com um comportamento totalmente oposto ao que lhes era carcterístico, cediam-se a todas instruções sem qualquer relutancia, o aparato policial viu-se desnecessário.

Os testes foram confirmando o sabido. As pessoas eram uma a uma transferidas para o hospital de campanha até o bairro ficar completamente desértico, sedento de vidas falantes.

O rapaz, também dorido do peito, testara positivo e foi dos últimos a ser levado, viu um carro estacionar em sua porta e homens devidamente encobertos por uniformes azuis descerem para o levar, ao subir na ambulância reparou na desolação de sua rua e isso fez dele um paciente triste.

No hospital, tanto o rapaz quanto sua gente sofreram bastante com a doença. Infrentaram um grande inferno pois aparte das dores da doença e dos tratamentos, tinham que lidar com o preconceito dos profissionais de saúde e da outra gente que era igualmente constituída de pacientes.

Semanas passaram-se, boas notícias chegavam com os virtuosos ventos de leste para as penantes almas do musseke. As pessoas foram recuperando da doença lentamente e recebiam alta médica cada uma em sua vez. Foram regressando ao seus lares. De corpo fraco e alma cansada preenchiam, a medida que chegavam, o vazio que o musseke emanava em abundancia.

Precisaram em sua maioria, de duas semanas de repouso, ao conforto de suas casas desconfortantes, descansados ao amparo de seu fiel bairro.

Numa tarde, o jovem sentava-se em seu quintal, destraindo-se pelas falácias e músicas que ouvia na rádio. De lá, ouvia dizer ‘’...infelimente, as zonas perisféricas continuam a registrar as maiores taxas de transmissões comunitárias... precisamos entender que a nossa vida jamais voltará a ser a mesma... o maior foco de infeção registado aconteceu num bairro onde as pessoas negavam-se categoricamente a acatar as medidas de prevenção, quase todos foram internados... acredito que depois do secedido, seu posicionamento perante a covid será bem mais sério...’’

Ora, era outro enganado. Os ignorantes e desurbanos do musseke apenas eram guiados por seus hábitos e instintos. Dificilmente eram acrescidos novos truques aqueles cérebros empoerados e alheios a vida do mundo.

O rapaz levantou-se chateado com rádio, saiu para a loja em busca de cerveja, talvez fosse sua deculpa para ouvir os bêbados que tinham sempre alguma teoria conspiratória para esplicar o mundo.

- Só queriam nos tratar de cobaias. Mais nada! – Gritava um deles revoltado.

- A culpa é do musseke. Não estás a ver? – Explicou um outro senhor.

- Como assim?

- É para aqui que recaem todas as desgraças do mundo...

- Erré!

- ...aliás, esse lugar é tão escasso de bênçãos que suga toda a sorte dos que cá vivem... só cresce na vida quem saí daqui.

- Não fala assim do bairro que te viu nascer... é feio!

- É verdade, não é a toa que a maioria das pessoas daqui é, na pobresa, igual as outras.

O rapaz, satisfeito com o que aprendera, pegou seu saco e regressou a casa, sentou-se no quintal e bebeu suas cervejas.

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