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Escrever sobre à vida é mais fácil que viver

Escrever sobre à vida é mais fácil que viver

 

Primeiramente peço desculpas a todos os leitores da comunidade por expressar meu tom deprimido e melancólico ao longo do texto, pois esse se fez presente ao longo do ano por inteiro, desde o início da pandemia que veio ao mundo para cobrar os humanos por seus pecados. Há sim pontos positivos e muita aprendizagem, mas o ocorrido ofusca todo vestígio de algo bom.

Quando se iniciou a calamidade mundial e a doença se espalhou tão rápido e letal como a peste negra, o isolamento social foi de imediato a única tentativa de lutar contra a praga. Escolas foram fechadas, lojas, pequenas mercearias, estabelecimentos em geral foram obrigados fecharem por lei. Com isso acarretou em uma série de desemprego terrível pelo país, não só ao redor como também, dentro da minha casa.

- E agora? O que vamos fazer? – indagava meus pais. Em minha residência moram 4 pessoas sendo duas desempregadas. Minha mãe trabalhava de carteira assinada e meu pai era autônomo, arrumar serviço manual em tempos de crise é algo quase impossível. – E agora? Como vamos pagar as contas? Aluguel, internet, água e luz? – Essas eram as perguntas mais frequentes durante o primeiro mês da pandemia. O futuro era incerto, obscuro e amedrontador.

De súbito pensei que não poderia ficar sem fazer nada, tinha que agir de qualquer maneira. Com a faculdade parada eu finalmente teria como trabalhar e ajudar em casa, mas este era o problema: arrumar trabalho em que lugar com a quarentena de forma rigorosa e um inimigo invisível que é capaz de nos levar para um outro plano espiritual?

Então tive que ser criativo e persistente. Comecei a vender minha mão de obra pela internet de forma mais eficiente possível. Por ser aluno de Letras, os textos são o meu lar onde faço morada e conheço cada cômodo, então por um site de vendas me ofereci a fazer textos acadêmicos, revisões e textos literários para alunos, sites, organizações entre outros. Com essa iniciativa consegui arrecadar cerca de 70 reais e foi o suficiente para pagar um mês de internet.

Pouco mais de 3 meses as coisas foram se acertando: meu pai arrumou um emprego fixo, meu irmão assinou a carteira e eu comecei a ensinar algumas coisas sobre redação para as pessoas por um preço de 10 reais mensais. O intuito era ajudar com suas dificuldades de escrita a fim de alcançar a famigerada média alta na redação do vestibular. Através da chamada de vídeo de um aplicativo, convocava a todos pelo menos duas vezes na semana para poder ensinar coisas novas.

Durante esse tempo aprendi que a prática docente é feita por amor, aprendi muito sobre a minha área e também a entender as pessoas e suas dificuldades. Durante esse tempo em casa conheci pessoas novas, inclusive a minha namorada, ficamos conversando por 4 meses sem mesmo nos vermos pessoalmente ou nos encostarmos.

A calamidade estava voltando ao normal: o cotidiano estava de volta e o otimismo particular e coletivo cada vez mais forte, voltei para a faculdade, arrumei um emprego temporário, o ano já estava para acabar. Podia me encontrar com minha namorada sem maiores problemas – agora posso amá-la como gostaria.

Quando finalmente aconteceu, nos vimos por algumas vezes antes de sua morte...

-ARJ

 

INfluxo
Matheus Pereira
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Me chamo Matheus Araújo, tenho 19 anos e sou estudante de Letras Português e Literatura. Não sei se vivo ou sobrevivo, não sei se sou livre ou a ambição me controla

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