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Ela e o Sol

Ela e o Sol

Ela e o sol

              Fazia frio, talvez fosse junho ou julho. Embora aquele caminho fosse mais longo eu o escolhi nesse dia de inverno. Sempre me levantava cedo, colocava a blusa mais quente que eu tinha e com as mãos nos bolsos eu ia andando pela calçada, observava a camada leve de gelo cobrindo a grama que ladeava a praça. Aos poucos o sol ia derretendo o gelo e deixando a grama verdinha. Eu caminhava e pensava nela. Mais dois quarteirões e talvez eu pudesse vê-la.

              Nesse dia em particular o sol estava mais bonito, aquecia, iluminava e não fazia questão de ser notado, apenas sentido. Há alguns passos da casa simples, eu parei, tirei as mãos dos bolsos e ajeitei a touca de lã nas orelhas. Lá estava ela, na varanda tomando sol, sentada numa cadeira de vime com almofada estampada de girassóis, um cobertor azul jogado nas pernas, parecia um sonho, um devaneio. A camisa larga, branca em contraste com o cobertor azul deixava-na com a aparência de uma pintura religiosa. Ela estava ali... Linda, tocando com a ponta do dedo uma página do livro. Eu sentia calor agora, me desfiz da touca, desabotoei o sobretudo, respirava ofegante. Tinha valido a pena um caminho mais longo. O sol a iluminava ou ela iluminava o sol? Não saberia dizer. Eram apenas os dois: Ela e o Sol.

 

INfluxo
Cris Ladeia
Cris Ladeia Seguir

Sou professora do Ensino fundamental em duas redes de escolas particulares e escritora. Sou formada em Letras pela UniABC e em Pedagogia pela Estácio de Santo André. Pós-graduada em Neurociência Clínica e Educacional.

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