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Do lado de dentro

As paredes, que não são menos que empilhados de tijolos misturados a cimento, transformam-se em espelhos, nos quais pensamentos se cruzam e se chocam brutalmente. Tal processo se parece com o que ocorre em nossas cabeças, quando sentimentos se contorcem em meio às ondulações do tecido cerebral.

 

O telhado tornou-se como o da capela sistina, com as mais belas cores e detalhes a serem observados. Ou não. Seria apenas a capacidade de observar uma mancha que, para mim, mais se parece com uma tartaruga. Há quem enxergue um rosto humano. Discutiremos para saber quem tem razão… Nem todos veem o mesmo.

 

Do lado de fora do meu mundo, alguém vai trabalhar, como de costume. Entra em um ônibus repleto de máscaras descartáveis e põe as mãos sôfregas e medrosas no apoio vertical. Em outro canto, ainda mais distante do meu mundo, há alguém que nunca sequer esteve em casa. Este, que ainda ergue as mãos para alcançar um contato com círculos de prata, não entende porque as ruas estão vazias. Buscam proteção apenas nos lençóis, se os têm.

 

Em todos os cenários, há algo de nocivo e invisível à espreita. 

Parte de nós, com o pouco poder de escolha que temos, segue buscando o que fazer. As axilas já não temem olhos nem espelhos. Não pedem por lâminas. Nunca pediram. Seria o fim da vaidade ou a ficha caiu? Homens e mulheres têm as mesmas pernas cabeludas. Pobres e ricos, os mesmos riscos. O que os difere é a chance de cura; seja de vírus ou de alma.

INfluxo
Hirlary Nakagaiche
Hirlary Nakagaiche Seguir

Atualmente, tenho 21 anos, curso Ciências Sociais (UFRN). Tenho paixão pela escrita desde a infância. Para dar vazão a esse amor, conto com um perfil no instagram ( @raioxdaalma ), onde publico meus textos, que expressam minhas alegrias e angústias.

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