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Desejos para 2021

Se você está lendo essas palavras "meu amigo, minha amiga!", como diriam aqueles pastores engravatados nas madrugadas televisivas  em busca dos perdidos insones cansados da vida, repito, se você está lendo essas palavras é porque até agora está vivo. Supondo que você esteja doente, mas se ainda lê, ainda há esperança, afinal, ler é oxigenar a mente. Sem ar e sem leitura, o resultado é morte certa, do corpo e da mente.

Esse texto não pretende te convencer a dar uma oferta generosa em troca de um lugar no céu, tampouco pretende ser uma vacina contra o inimigo multiforme, dinamicamente mutável e microscópico que tem tirado tantas vidas desde o início desse fatídico e memorável ano de 2020. Sim! Memorável. É bom que nunca mais nos esqueçamos dele, para que assim, quem sabe, não cometamos os mesmo erros mais uma vez. 

Também não se pretende aqui apresentar uma vacina milagrosa, desenvolvida em tempo recorde pela nova divindade contra a qual quaisquer dúvidas por ventura lançadas pelos infiéis é imediatamente rechaçada. Nossa Senhora Ciência não admite descrenças. Por outro lado também não se pretende aqui polarizar esse terreno afirmando o poder da descrença, do descrédito e da conspiração de Nosso Senhor do Senso Comum, cujas soluções cloroquinadas em nada contribuem para a solução tão esperada por todos, a cura.

Esse texto só pretende salientar duas coisas. A primeira é a necessidade urgente de agradecer por cada dia vivido. Cada despertar, cada decorrer, e finalmente, cada adormecer, pondo termo a mais dia de download do tempo que nos resta. Cada dia em que nosso software não foi atingido por esse malware que consome nossa bateria até o ponto de perdermos tudo, sem chance de restauração de sistema. Cada dia não atingido, cada dia em que nosso antivírus tenha sido capaz de rechaçar essa ameaça, é um dia a agradecer. Se eu escrevo essas linhas e você as lê, é porque o nosso fio de prata ainda está conectado ao nosso corpo e isso é motivo suficiente para sermos gratos, pelo hoje, pelo agora.

A segunda intenção desse texto é reivindicar que nos seja dado o direito de não sucumbir à ditadura do consenso. Um consenso paradoxal, dividido entre dois lados nitidamente identificáveis por seus partidários. Nesta identificação não há lugar para nuances. Suas opiniões não podem ocupar o lugar da dúvida, verdadeira mãe da inteligência. Esta tem sido monopolizada pela coerção justamente daqueles que em nada a conhecem. Que nos seja dado o direito de duvidar, de acreditar, de se opor, de concordar, sem que com isso nos ponham rótulos... Tantos rótulos, quando no fundo somos esse complexo sistema orgânico tão frágil perante um inimigo que sequer conseguimos enxergar, que ironia!

Eu desejo a você leitor e leitora desta comunidade literária que em 2021 você "seja" vivo, em todos os sentidos. Que seu pensamento seja livre de quaisquer esteriótipos. Que sua essência humana, sem cor, sem partido, sem ideologia, sem preferência sexual, apenas você, se encontre, se ame, se valorize e em consequência dessa liberdade você não espere menos das pessoas que cruzarem seu caminho. Feliz vida em 2021.

INfluxo
Jorge Pontes
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Escritor freelancer, caçador de seleções literárias das quais colho vitórias e de outras apenas "não foi dessa vez. Professor de língua portuguesa, inglês e artes na cidade de Maracanaú-CE. Morador da terra do sol, Fortaleza bela.

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