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DENTRO

DENTRO
Geovana Morais
ago. 22 - 1 min de leitura
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Os casulos as conchas, barris, paredes e unhas que rasgam a superfície
As unhas trituram a tintura 
As unhas descascam, deixando amostra a camada agonizante 
A solidão desesperada enclausurada 
Como um cão de rua que conhece o bairro 
Capturado e trancado
A prisão mental que os dedos não tocam
O desejo inalcançável que voa sozinho pelas mãos
O tesão insaciável
O corpo é um só 
O desespero nada mais, além de unhas 
Que descascam as manchas mal feitas 
E abrem o cimento, o tecido adiposo, o esmalte perolado da ostra
Por dentro, tijolo, sangue e calcário
Por dentro morte
Por dentro doença antiga, mal tratada 
Colonização e desigualdade
Por dentro do planeta, a mutabilidade inevitável
Por dentro do corpo, vírus
Por dentro das casas, pânico
Ou esperança do mundo virar do avesso
E se reinventar 
Por dentro do inconsciente dessa geração
Rastros psicossomáticos de revolução internalizada
Dentro das grandes corporações, planejamento
A calma milionária
O conforto liberalizado
Preparem as bandeiras
Paguem com a sua força de trabalho depois que o globo voltar a girar
O que sobrar da Terra
O que sobrar do frágil homem
O que sobra são raspas de unha 
Garras cortadas 
Pra quem nunca teve parede nem teto, roer


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