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CORINTHIANS X JUVENTUS*

CORINTHIANS X JUVENTUS*
Cassiano Ricardo Martines Bovo
mai. 7 - 3 min de leitura
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Meu pai foi torcedor do Clube Atlético Ypiranga, nascido no ano de 1906 e três vezes vice-campeão paulista, com sua camisa listrada em branco e preto. Quando o futebol do “Vovô da Colina” se extinguiu, em 1959, o pai adotou o Clube Atlético Juventus como time do coração, que leva o nome da “Vecchia Signora”, de Turim/Itália, e na camisa o inconfundível grená, em homenagem ao Torino, outra equipe dessa cidade.    

Sempre achei que a escolha de meu pai teria se dado pela sua origem italiana, mas, no dia que perguntei, a sua resposta revelou um dos traços de sua personalidade: “todo mundo torce para os grandes, temos que apoiar os pequenos”. E se tornou uma espécie de torcedor símbolo; não perdia um jogo no Estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, Mooca, tradicional reduto italiano de Sampa.

Quem conheceu a história desse simpático time, sabe que, nos seus áureos tempos, levava a alcunha de “Moleque Travesso”, porque costumava aprontar para cima dos grandes. A cada molecagem meu pai ria e se deliciava. Não precisava ser campeão, mas tinha que fazer travessuras...  

Pois no dia três de novembro de 1982 jogou Corinthians e Juventus no Estádio do Pacaembu. Eu e meu pai para lá fomos. Embora o adversário fosse aquele timaço do Sócrates, Zenon, Casagrande e cia. (aliás, campeão paulista naquele ano), acreditávamos que veríamos mais uma travessura do moleque (e o Timão era vítima predileta); até pedi para o pai maneirar na comemoração, pois estávamos em território “inimigo”, eu, inclusive, com a camisa do alvinegro.

E nem bem começou a peleja, aos 7 minutos, o “Doutor” vai lá e faz um gol, meu pai abaixa a cabeça, mau presságio; o moleque frequentemente fazia um gol e se fechava, por isso a famosa “retranca” do técnico Milton Buzetto caiu como uma luva nesse time. Aos 25 e 34 minutos, Zenon faz mais dois. No segundo tempo Ataliba (que veio justamente do Juventus) e Casagrande fizeram mais um cada, e aos 44, Mário fez um para a equipe grená com o J branco no peito, fechando o placar em 5 a 1.

Apesar de corintiano, fiquei até chateado pelo meu pai, que saiu cabisbaixo.  Qualquer um diria que deu o resultado provável: o time grande goleando o pequeno. Mas, em se tratando de um moleque muito travesso, naquela noite, sem fazer das suas travessuras, acabou dando zebra!

* Publicado originalmente  no n.1 (abril de 2023) da Revista “Campo ou Bola?” (pág. 15), com a temática “Os Pequenos Gigantes do Futebol Brasileiro” 


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