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Como a literatura Mudou Minha Vida?

Como a literatura Mudou Minha Vida?
kauany Louisy
out. 19 - 3 min de leitura
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Olá, me chamo Kauany, tenho 22 anos e me orgulho em dizer que sou escritora.

Meu amor pelo mundo literário começou no meu período de creche. Não me lembro da minha idade nessa época, mas lembro fortemente da responsável por essa conquista e de sua obra literária usada naquele dia chuvoso e aconchegante de aula: professora Cleonir e seu livro “menina bonita do laço de fita”. Ela foi a única com discernimento o suficiente a causar tal emoção em uma criança de forma tão forte e inquestionável, capaz de atravessar anos e permanecer intacta até hoje comigo. Arrisco-me em dizer que foi meu primeiro amor e que o sinto até hoje brilhar em minha memória.

Durante meu período adolescente, degustei a emoção mais dolorosa que um ser humano pode provar: a maldita depressão. Só quem passou por isso sabe oque é desejar não existir e largar tudo que ama por não conseguir fazer suas funções básicas como levantar da cama. No auge dos meus 19 anos, a negligência, bullying, preconceitos e diversas tentativas falhas de suicídio já haviam engolido todos os meus propósitos de, algum dia, existir algum futuro para eles. Estava determinada a largar uma vida inteira por pura infelicidade. Quem diria que uma criança apaixonada se tornou uma jovem perdida.

Teve uma noite em que estive tão sozinha que decidi deixar meu corpo gritar. Peguei um caderno e uma caneta e coloquei tudo para fora. Escrevi folhas e mais folhas com lágrimas pelo rosto que pingavam nas páginas escritas. Li livros na busca de matar aquilo que me matava diariamente. Sem nem perceber, tornei esse hábito uma rotina. Todos os dias escrevia um pouco, sendo o assunto bom ou ruim. Busquei autores que sentiram a mesma dor e me motivei neles. Aos poucos me vi renascendo novamente e buscando consolo na literatura, tanto na escrita como na leitura de obras extraordinárias.

Descobri, através das minhas dores, o mundo fantástico, criativo e acolhedor que a literatura me proporcionou. Foi através dela que pude encontrar o curativo para meus problemas e viver com leveza. Foi com os livros e escritas que conheci pessoas de outros países e até mesmo de outros mundos e universos (dependendo a história), onde, senti meu coração bater sereno e, principalmente, com vontade de bater após anos se negando a essa vida.

Presenciei amores, desamores, dor, paixão, fantasia, meus olhos encharcarem a cada página e um sorriso largo a cada beijo registrado sem precisar sair do lugar. É como sonhar acordado dentro de folhas de papel.

Depois de tanta dor e feridas incuráveis, busquei nos livros aquele amigo que nunca tive, o consolo que sempre desejei e aquele “colo de mãe” que me faltava. Como escreveu uma vez Anne Frank “O fato de escrever me levantou das profundezas do desespero” e é graças a essa literatura que escrevo pra vocês hoje.




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