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Caminhando nos Andes Equatorianos

Caminhando nos Andes Equatorianos
Dennis De Oliveira Santos
abr. 8 - 2 min de leitura
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As montanhas adiante avolumam as retinas de desejos. Pelas dúbias estradas há poucas pessoas - com suas misérias mendigam sutilmente. O frio e forte vento exala cheiros metafísicos. Cada vez que subo montanhas uma nova paisagem enche os olhos. A cada passo desperta o cansaço e os pulmões já não são exímias máquinas diante da altitude. 

Depois de vencer denso nevoeiro e muitas léguas perante a cratera do Lago Quilotoa, o silencio ensurdecedor e as belas paisagens bastam-me. Aqui, em alta atitude acima no nível do mar, a cidade desapareceu, as memórias do meu país sumiram. Não há abstrações intelectuais ou estercos do cotidiano.

Perante vulcões, lagos e lhamas de uma fauna e flora surreal, a liberdade é uma calmaria plausível. O refazer de planos é colocado em prática enquanto tomo um pequeno gole de água e uma paisagem aberta está na janela do eu. Sobre a montanha que eleva os pensamentos através do céu percebo que caminhar é uma atividade que ajuda a renovar a multifacetada vida. Pois não ficar sentado e ter ideias concebidas ao ar livre são atividades que dissipam as entranhas de preconceitos.

Com o olhar denso e admirando a laguna vejo que há golpes fortes na vida, mas que encharcam o espírito de crescimento. Pois quem não sente as vertigens da desgraça não expande o eu lírico num universo transpassado por novos horizontes. Eu preciso caminhar sempre para se colocar fora do eixo preconcebido. Sair sempre de peito aberto para o mundo e fechar à chave os valores carcomidos. 

Livre, errante, altivo e sem rumo certo, os pés vão explorando inúmeras alteridades, as pernas levam-me para torrões de terra inexplorados, os quais apunhalam o peito de vivacidade. A delícia de viajar para uma capital como Quito, de visitar uma deliciosa praia do litoral potiguar ou perambular pelas históricas ruas de Ouro Preto é uma importante terapia para refletirmos de forma densa - procurarmos os próprios caminhos enquanto se usufrui a vivencia de culturas e lugares até então desconhecidos.

15.01.2017
 


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