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Ânsia

 Não sou ninguém, em definitivo. Poucos exemplos inteiros, nenhum acredito, me fizeram. Escrevo porque ontem termina e começa o amanhã hoje, e por mais que eu queria ganhar do tempo ao fim do dia me termino fisiológico.

 Todas as palavras postas a prova numa ciranda interminável, meu olhar tomado de incertezas e minha única segurança num vazio completado todo dia. Um mundo feito em desacordo, porque ninguém me mandou existir, e ser esse, desse jeito só fazendo isso pra contrabalançar.

Como se o dinheiro me desse um luz eu me perco em todos os mundo, me encontro em cada esquina, e me jogo fora em cada olhar.

 Se ao menos minha vida viesse apontada, se ao menos esse meio tempo fosse ocupado de incompreensão eu estaria noutro lugar.

 Quem um dia parou de respirar esse tanto que eu parei e olhou pra tudo e só viu interação desgarrada, intenção matreira, atitude espúria, e meus singelos desacorçôos, eu começo mesmo escolhendo aos poucos e ao pequeno.

 Se não fosse eu não seria mais ninguém, se não fossem essas páginas não seria nada.

 Um dia no dia em que morreu Guimarães Rosa eu morri junto, morri porque tinha que morrer, morri da confirmação existente em cada infinidade.

 Como eu queria isso, como meu corpo ansia por um lugar, acho que muito vai embora cada vez que eu me deixo e me incito à viajar.

17/11/20

 

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