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A peste

A peste
João Ricardo Dias
mai. 31 - 1 min de leitura
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imóvel

o crepúsculo derrama sua língua de trevas pelos bosques de Ipês emudecidos

 

enquanto a alma invernal do cemitério vagueia

murmurando sermões por entre candeeiros e lágrimas brancas

um vento trêmulo canta a tenebrosa maldição dos calvários

 

os corcéis da meia-noite expelem

à humanidade

uma oração escura

entorpecida de melancolia e desespero

 

as lágrimas púrpuras de deus clamam ao silêncio de um salmo antigo

como uma despedida implora, dos amantes, os olhos, as bocas,

o rubor do vinho

 

mas da densidade de sombras e sussurros

da suástica

escorre um sangue póstumo e obscuro

 

abençoados, os arcanjos sorriem em deleite de ferro e enxofre

 

cadáveres apodrecidos aglomeram-se nas ruínas

de um santuário

cultuando pedras em decomposição

 

um império marrom sorri só

soturno

no limbo, lúgubre, de um beijo

 

os lábios amarelados de um vulto escarram um esquálido colosso


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