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A magia da literatura

A magia da literatura
Mylena Araujo de Assis Barbosa
out. 17 - 5 min de leitura
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 Uma das primeiras pessoas que eu já admirei na vida foi uma menina que aos seis anos já sabia ler, da minha idade e da mesma turma na escola, aos meus olhos ela era a menina mais descolada de todas. Depois que eu aprendi a ler, todo e qualquer lugar com uma estante de livros virou um santuário, dos contos de fada as mais incríveis, as aventuras e mistérios mais empolgantes; ler sempre foi meu esporte, as partidas entre os heróis e vilões, os desafios, as vitórias e as derrotas. Eu fui me construindo com um livro por vez, às vezes dois. 

  Um tempo depois, já nos meus 12, eu conheci o melhor professor que eu já tive, ele mostrou que as palavras tinham um poder infinito, e que eu mal conseguia formar uma sentença decente, eu me sentia como um aprendiz de feiticeiro; eu via ele conjurando fogos de artifício e matando dragões, com a paciência de um monge e a voz macia feito veludo. ele me ensinou a escrever de verdade e o exercício daquilo me empolgava tanto que em uma prova de produção de texto, em menos de uma hora, com um tema bem vago e um limite mínimo de 15 linhas eu escrevia o frente e verso de uma folha mais rápido que um carro esporte!. Não posso dizer que já fui qualquer tipo de prodígio, porém da mesma forma que um músico treina seu instrumento todos os dias, e atletas treinam seus corpos e aperfeiçoam suas técnicas, eu escrevia com orgulho.

 Na minha timidez infantil, ao apresentar um trabalho para turma, eu tremia feito vara verde, me diminuindo até terminar de sumir por completo, o desespero sufocante de ter de estar na frente de toda aquela gente, todos com os olhos fixados em mim, me sentindo desnuda e a cada gaguejada a humilhação me açoitava a pele, mas quando se tratava da minha escrita, meus textos, meus poemas o coração palpitava de nervosismo e se enchia de emoção feito um balão, a timidez sumia aos poucos e o orgulho ao terminar era tanto que qualquer elogio mínimo parecia o próprio manjar dos deuses, mas o medo inicial de aparecer desnuda, frágil, com meu coração de cristal em uma bandeja a plena vista de todos me venceu em muitas ocasiões.

 O medo de me verem, me notarem, me julgarem. Este medo todo quase acaba comigo, a perda da inocência, dos sentimentos mais puros e a incerteza dos amores que eu tinha se fizeram enormes dragões na minha jornada. a vida me ensinou que eu era diferente dos contos de fadas que eu amava, dos romances que eu almejava viver. eu não era princesa, não era príncipe, não era bruxa nem dragão. eu perdi o rumo tentando me achar em lugares onde eu não me encaixava. E aquilo me enchia de uma ansiedade feia e de um rancor sobre todas as verdades que achei ter aprendido. meu príncipe em seu majestoso cavalo branco nunca chegou, ao invés disso me apaixonei por uma princesa tão fofa feito algodão doce, a torre em que eu me tranquei com meus medos nem sequer existia, o dragão não era nem uma lagartixa e a bruxa malvada era um reflexo distorcido que me convenci ser eu. Daí tive que aprender a amar tudo de novo, aceitar a garota esquisita que eu era e começar a correr pelo que eu queria alcançar. a vida me deu uma rasteira e eu demorei, mas me levantei e voltei a correr.

 Hoje ainda tenho medo, e contar aos quatro ventos os meus sonhos mais banais me dá borboletas no estômago. meus sonhos e amores são grandes demais para caber em mim, e por isso eu tenho que vomitar eles para fora em letras de forma. Espero que consiga viver com orgulho e consiga me expressar do jeito que eu devo. Histórias são uma forma linda de se conhecer alguém, aprender lições e observar o mundo de um ponto de vista diferente. A literatura é um dos pontos mais fortes de conexão entre todos os corações que batem juntos nesta terra, é pura magia; todos temos histórias para contar e toda história merece ser ouvida.




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