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A indivisa natureza da mente.

A indivisa natureza da mente.

Ele despertava ao ouvir os pássaros do amanhecer.

A densa neblina fazia com que os primeiros raios de sol, ao penetrá-la, se tornassem difusos, expandindo-se em uma luz suave, levemente dourada. 

Com a geada, aos poucos, como diamantes, as gotas de orvalho transformadas em cristais de gelo se iluminavam contendo o universo.

Eram tantas paisagens: sonora, visual, olfativa, tátil, espiritual, que os sentidos, ainda meio adormecidos, iam despertando aos poucos. 

DaniBdanB deixava plenamente aquele luxuriante mundo adentrar em todo seu ser.

Um voo rápido, rasante, e de repente subindo, escalando o vento, indo alto, voltava planando. 

De todos os seres alados, ainda não conhecera outro que mais gostasse de brincar com o vento como a Andorinha. 

Ao longo do tempo, percorrendo diferentes lugares, observava-a, e sempre a admirava mais e mais. 

Transmitia para DaniBdanB uma alegria pura.

Uma alegria de simplesmente estar ali, viva, voando, brincando, subindo alto, e descendo com o vento. 

Caminhava para buscar água, pisando com cuidado e redobrada atenção, principalmente durante a primavera. 

Uma infinidade de frágeis vidas, ao nascer do Deus Sol, tinha a mesma atividade de DaniBdanB.

A cada pequeno trecho parava e observava aquele movimento ininterrupto da floresta virgem.

Milhares de seres, invisíveis aos olhos, minúsculos e microscópios, todos buscando luz e alimento.

A certa distância, DaniBdanB pôde ver o Senhor Jardineiro ajoelhado que, com as mãos, cavava com suavidade o solo úmido. 

Ao seu redor um mundo de plantas, algumas, exibindo belas flores de diferentes formas e cores, olhavam para ele, que sorria para elas, como que pedindo licença e agradecendo a atenção. 

Ali estava um jardineiro do Arquiteto Cósmico trabalhando desde muito cedo para alegria de suas amiguinhas do reino vegetal. 

DaniBdanB jamais interrompera a quem chamava simplesmente de Senhor Jardineiro e sua presença, imaginava ele, nunca fora percebida. 

Ele abria clareiras empurrando suavemente com as mãos galhos e cipós, para que o sol pudesse iluminar as frágeis flores que se revelavam em cores e tons, que iam do mais suave ao mais profundo. DaniBdanB nunca o vira extrair qualquer planta.

Ele sabia quais gostavam mais do Deus Sol cujos raios o envolviam criando em torno de si uma leve aura, curiosamente prateada. 

O passar do tempo era percebido pelo lento caminhar das sombras entre as árvores. 

Aos poucos o céu azul celeste ia se descortinando e as brancas nuvens o emolduravam. 

O Senhor Jardineiro pensava: "...embora a indivisa natureza da mente, que impregna completamente a existência, tenha estado naturalmente presente desde o início, você não a reconheceu. Embora a sua radiância e consciência desperta nunca hajam sido interrompidas, você ainda não encontrou a sua verdadeira face. Embora ela surja em todas as facetas da existência sem quaisquer obstáculos, você ainda não reconheceu esta natureza indivisa da mente..." 

DaniBdanB estranhamente ouvia as palavras em sua mente, e tentava decifrar o que significavam, mas não as compreendia. 

Não demorou muito, DaniBdanB percebeu ao longe seu amiguinho Benedito. 

O ruído do seu bico perfurando alguma casca de algum tronco velho, em busca de larvas para seu "café da manhã", era o sinal de que ele já despertara. 

Quando Benedito voava para mais perto, após o seu dejejum, e o via, cantava "...biniditus, biniditus, biniditus..."

Assim, expressava seu "Bom dia DaniBdanB". 

Era o momento de retornar e preparar um chá e abastecer o estômago vazio. 

A água morna com gotas de limão que ingerira saciava o jejum por volta de dois quartos de hora. 

DaniBdanB levantou-se silenciosamente, colheu em uma mina próxima um pote de água fresca e num gesto de respeito despediu-se daquele local.

Conforme caminhava pela trilha que o levaria de volta para seu abrigo refletia sobre as palavras repetidas pelo Senhor Jardineiro:

"...a indivisa natureza da mente..."

Aquelas palavras ecoavam continuamente...

 

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