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A distorção do discurso e o equilíbrio político em risco no Brasil

A distorção do discurso e o equilíbrio político em risco no Brasil

O reconhecido símbolo Yin-Yang é a ilustração perfeita do dualismo que existe no universo. O quente e o frio, o bem e o mal, o sal e o doce, a tristeza e a felicidade, o ódio e o amor. Sentimentos tão próximos como opostos, que coexistem pelo equilíbrio de todas as coisas.


Naturalmente, é possível de se imaginar que na política o dualismo também seja representado pela histórica disputa esquerda/direita. Com definições próprias, a esquerda batalha segundo Norberto Bobbio, pela justiça social, enquanto a direita busca a liberdade individual, conceitos estes que não são definidos por temas antidemocráticas ou não humanitários.

Entretanto, tais conceitos têm se perdido no Brasil, a ponto não entendermos perfeitamente a representação de cada uma e confundirmos esquerda e direita com escolhas humanitárias ou democráticas. Com representantes como Jair Bolsonaro e seu clã, além de outros suprassumos da ignorância político-social, a direita tem se caracterizado por medidas antidemocráticas e excludentes, especialmente ao que se refere às camadas mais vulneráveis da sociedade.


E é exatamente este o grande perigo que pode, a longo prazo, desestabilizar a balança política no país. Isso porque há uma grande tendência de que os jovens de hoje, possíveis políticos e certos eleitores dos próximos anos, demonstrem maior proximidade e interesse por temas humanitários, quase sempre com a finalidade maior de incluir ao invés de excluir.


Naturalmente, com a distorção do discurso dual esquerda-direita no país, aparenta-se completamente normal que mais jovens se considerem de esquerda, embora não possuam opiniões próprias sobre atuação do Estado, livre iniciativa, liberdades individuais ou o direito garantido à propriedade privada. Em outras palavras, ser de esquerda, atualmente no Brasil, refere-se, no discurso distorcido, a ser democrático, enquanto ser de direita aparenta flertar com a ditadura e/ou com atitudes retrógradas, como destruição do meio-ambiente e corte de auxílios assistenciais.

Com o fortalecimento desta falsa dicotomia, o Brasil corre o risco de mergulhar, a longo prazo, num país desbalanceado, em que a grande maioria da população se considera de esquerda mesmo sem saber necessariamente o que isso representa. Contudo, o equilíbrio das partes é fundamental e, mesmo que fosse o contrário e que a direita estivesse com maiores probabilidades de domínio.

Desse modo, é necessário, com urgência, que se esclareça por aqui os reais conceitos de direita e esquerda e que se entenda que, por exemplo, ser pela defesa do meio-ambiente não é, em condições normais, ser de esquerda. É preciso que se entenda os verdadeiros conceitos de direita ou de esquerda e que não haja distorção que possa causar o desequilíbrio entre o Yan Ying político.

Vivemos mais de 30 anos com uma direita fortalecida. Posteriormente, mais de 12 com uma esquerda dominante. Na realidade, não é bom para ninguém. A oposição é fundamental para a sustentabilidade política. O esclarecimento é primordial para que ela se garanta.

*Jorge L. P. de Freitas é autor, escritor e mantém projeto de aulas de redação online.

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Jorge L. P. de Freitas
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Editor INfluxo Brasil.

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