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"O lado oculto das paisagens!"

"Não sou fotógrafa, sou historiadora, e também pode-se dizer, escritora. Deste modo, a fotografia é outro modo de escrever sobre o mundo, de historiar o mundo, de rememorar o que teria sido o mundo, o que ele é no momento da captura, o que pode vir a ser, e assim, é outro modo de inscrever-se no mundo. Por outro lado, não gosto da fotografia tal qual a imagem é capturada, mas, de "devanear sobre ela", transformar a imagem até fazê-la falar, falar o que o nosso olhar não vê ao fotografar, o que é ofuscado pela luz, pela sombra, ou o que é transformado pelas luzes, pelas sombras, e assim, chegar ao que está nas partes menos observáveis das paisagens, menos apreciáveis até, que a distância transforma.  Pensando aqui paisagem como um fenômeno do olhar, um detalhe da sensibilidade, do "devaneio" como defenderia Bachelard (2006) mas também como algo vivo, que se comunica e nos ensina conforme Krenak (2020). É uma forma de entrar em sintonia com o alvo fotografado. Por outro lado, os recursos tecnológicos que podem transformar as fotos são incríveis e sem eles a criação não seria possível, ou eu teria que encontrar outras maneiras de produção de sentidos. Meu equipamento não é apropriado, faço fotos com meu celular que por sinal, tem uma boa câmara e é colaborado pelos recursos do Google, mas obviamente não é apropriado. A razão é que este projeto começou como um passatempo, até como uma brincadeira há um ano atrás em meio à quarentena, fotografando a vegetação do meu jardim e o céu, que como sabemos é um museu natural, aberto dia e noite ao maravilhoso. 'Quem já parou para pensar que a paisagem celeste se repete há milhões de anos?' Voltando à fotografia e ao que as paisagens nos dizem, esse "lado oculto das paisagens" é algo que pensei porque concordo com os povos que defendem que as partes vivas do planeta que não são humanas comunicam algo que nem todos podem ver e escutar, é preciso sintonizar sua linguagem, e as paisagens que tenho fotografado pedem para eu ler suas versões de cores, formas, gestos, sons, nós humanos também temos muitas versões, todas maravilhosas!." (Adrião, M, 2021). Tenho postado e escrito alguns desses ensaios no Instagran @dias_de_espera.

Belas Artes

INfluxo
Maria Antonia Adrião
Maria Antonia Adrião Seguir

Nasci em Santa Quitéria - Ceará, professora, doutorado em História Social (UFC) com tese sobre migração publicada pela NEA, algumas poesias publicadas em antologias organizadas pela Scortecci 2019 e 2020, gosto de escrever e da arte fotográfica.

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